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CARTAS DO PAI

MENSAGENS E NOTAS DO PAI

ENSINAMENTOS

A MÚSICA

(recebida por Jakob Lorber, em 02 de maio de 1840)

Então vós quereis saber o que a música é? Pois então prestai atenção ao que Eu vos digo e compreendereis muitas coisas, não só a respeito da música, mas também quanto às “Atividades do Puro Amor”; como é a música, sem nenhuma partícula de sabedoria; como ela é na maravilhosa cegueira do Amor. Não tendes melhor figura do mais puro Amor em Mim do que a música, que de fato deveria se chamar mais apropriadamente de Amor Cego. A música é o conjunto dos sete espíritos da Divindade, os quais aí se unem em suas constantes atividades calmas.

Neste encontro nasce o Som; no momento em que um dos espíritos se multiplica sete vezes; deste tom original com sua atividade e de seu encontro com os outros tons originais dos sete espíritos; pois cada um dos espíritos tem o seu tom próprio, que corresponde à vossa conhecida escala.

Mas como cada um dos sete espíritos penetra cada um dos sete tons, estes sete espíritos também se encontram em cada um dos sete sons e se vertem todos em um conjunto harmonioso e unido, com um som muito bonito, o qual é uma grande felicidade para a Divindade em Seu Amor.

E logo o tom se transforma numa vibração, e esta vibração traspassa os espíritos, e os espíritos se reconhecem, e este reconhecimento se faz presente de acordo com a situação da vibração, e estas vibrações serão aceitas no Amor de uma forma muito cuidadosa, e esta reunião se torna uma harmonia correta. E quando esta harmonia elevar em seu bojo o Amor, ela é refletida de volta à Divindade, onde se origina um grande aglomerado. E quando nesta grande e maravilhosa harmonia o Amor estremece de felicidade, os espíritos se aquecem. E deste gesto amoroso ocorre a luz, e nesta luz se originam as inúmeras formas que se originam das vibrações. Agora sabeis o que é o tom e o que é a música, onde ela só origina, para que existe e o que ela é. E ela vos foi dada como um segredo de grande valor e conteúdo. Este segredo só poderá ser solucionado quando houver o mais puro amor por Mim, e devereis agradecer-Me por mais esta dádiva tão maravilhosa e divina. Mas como esta dádiva está sendo tratada por vós?! Que escândalo! Eu vos mostrei, por homens puros, a pureza dos oratórios e sinfonias. Vós, porém, cobris de lixo o ouro e afastais de vós o belo. Pensai bem em o que é e para que serve a música e não retireis de Mim a felicidade da música. Eu, o mais puro Amor em Deus, JEOVÁ. Amém! Amém! Amém!


A PÉROLA

(recebida por Jakob Lorber, em 31 de janeiro de 1847)

Nas profundezas do mar, onde as ondas dos ventos mais fortes não alcançam mais, lá se encontra no seio da mãe totalmente selada, o fruto maravilhoso, o fruto nobre que, quando é levado à superfície ao encontro dos raios do sol, deste se torna o espelho, e brilha e reluz como ele; o mais nobre com o nobre. O rei enfeita seu trono com a pérola e a rainha seus braços, pescoço e cabeça. O valor enorme de uma pérola grande nem mesmo Salomão conhece. As pedras preciosas primeiro devem ser lapidadas, pois senão não servem para enfeitar as coroas; mas a pérola não, ela não precisa ser lapidada, ela é como é desde as profundezas do mar: ela é uma jóia. Ó homens! Sim, em vós existe um mar, que em suas profundezas se oculta esta jóia, com a qual o Rei dos Céus deseja enfeitar Sua Testa, Peito e Cintura. Se conhecerdes esta jóia, conhecereis a Pérola que se aninha no coração do irmão pobre e que se torna maior e mais bonita com o amor que este coração possui, e que fica mais nobre com a atividade cuidadosa de seu possuidor, atividade esta que se realiza no silêncio das profundezas do mar de seu amor. Esta pérola pode se tornar mais nobre que o próprio Sol. Ó, vede: isto é se tornar um céu com todas suas luzes nas profundezas da Vida, é Minha Palavra Divina, coberta de carne, porém ainda ativa; pois mesmo o céu acima de todos os céus, o céu que cria os céus, faz nascer luz da Mãe, esta mãe que é o Amor, o Amor Divino, o amor do Irmão, que tudo abrange, que tudo abraça, que tudo quer junto de Si, Aquele que, sendo o mais nobre de tudo, se preocupa e procura aquele que está na maior profundeza, e que quer torná-lo algo bem precioso e, tal qual a pérola, retirá-lo da lama das profundezas do mar e lá espairar Sua nobre índole.

A Pérola não julga a lama na qual ela habita em seu ser silencioso, e o mundo não imagina que preciosidade lá se encontra, cujo valor ele, mundo, não tem a menor idéia, nem lhe dá o mínimo valor. E, no entanto, lá, naquele espaço apertado e escuro, é gerado algo extremamente maravilhoso e precioso.

O homem verdadeiro deve se mirar no brilho próprio da Pérola, pois o seu brilho é mais bonito que o raio de fogo de Orion. E então nele, no homem, se encontrará toda a grandeza que a profundidade de sua vida oculta.

“O caminho está aberto, a tormenta se acalma, quem então hesitará? Atuai, atuai de acordo com a Palavra! Tornai-vos verdadeiras pérolas, verdadeiros pescadores! Nos mares de vossos corações a piedade, qual sino de mergulho, mergulha vosso amor fraterno, cobrindo a pobreza. E então fareis uma boa pesca, pois vós então sereis a pérola entre as pérolas que pescastes com a rede de vosso amor fraterno. Como a pérola na profundeza silenciosa do mar, Eu Me tornarei uma pérola na profundeza de vossos corações; uma pérola que jamais poderá vos ser tirada. Esta pérola é uma Luz, uma Vida, uma Palavra Viva, um Céu, ... Eu mesmo, a Pérola das Pérolas. Pois então ide, colecionai pérolas. E quando tiverdes encontrado a Grande, deixai tudo de lado e comprai a mesma. E quem a possuir, possuirá tudo, pois seu valor será eternamente inconcebível. Assim fala um Deus, de Deus, do Deus, que foi Homem para tornar os homens em deuses. Tornai-vos pois, pela Pérola, em uma pérola entre as pérolas, tornai-vos deuses por Meu intermédio, vosso Deus e Pai eternamente.” Amém! Amém! Amém!


QUERUBIM – SERAFIM

(recebido por Jakob Lorber, em 25 de agosto de 1844)

Os querubins significam e são a eterna expressão do Amor Divino e os serafins são a eterna expressão da Sabedoria Divina; esta é a diferença e por isto antigamente existia o provérbio: “Ele é amoroso como um querubim e sábio feito um serafim”. Pois então com querubim nos referimos ao Amor Divino e com serafim à Sabedoria Divina. Teu Pai em Jesus.

Um prólogo antes do ditado sobre o retrato do Senhor

(por Jakob Lorber , em Graz, no dia 30 de maio de 1840, a pedidos insistentes do senhor W.)

Não aches que tudo deve acontecer do jeito que tu o desejas não, o momento certo só a Mim é conhecido; e se Eu desejo falar alguma coisa com alguém, não é de teu interesse.

A hora daquele a quem Eu desejo falar ainda não chegou, por isto deve ter ainda um pouco de paciência. Antes disso, tomar da água da vida do poço de Jacó, ser pequenino e ver grande, ouvir bem e ser mudo na conversa, não contar somente os sóis, mas sim muito mais o pasto humilde que cresce da terra, e não escalar somente as montanhas da Lua, mas sim permanecer nos vales da Terra!

— Quem tiver ouvidos, que ouça, quem tiver olhos que veja e se dê conta. —

Vê: com as crianças, Eu falo feito criança; com os homens, como um homem; com os regentes, como um Deus; com os poderosos, como o mais poderoso de todos; com os superiores, como o mais superior de todos; com as grandes, como o infinitamente grande; com os pecadores, como o pastor e juiz. E assim Eu falo com cada um à sua maneira, como um Deus inatingível. Mas com aquele que Me ama com todas as forças de seu coração, com este Eu falo como Pai, Eu desço das alturas para encontrá-lo, feito uma noiva amantíssima. Por isto só mais um pouco de tempo, para que o ferro (deste pintor duro feito ferro) se transforme em ouro (para a pureza do Amor) pelo verter da água da vida, que corroerá o ferro, para torná-lo ouro. Amém.

Eu o verdadeiro e único Jesus Jehová Emanuel, filho de David. Amém! Amém! Amém!

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RECOMENDAÇÃO PARA A MISSÃO

(recebida por Jakob Lorber, em Graz, no dia 25 de maio de 1844)

Sim, ao sedento deve se dar de beber, mas existem os bêbados espirituais, especialmente entre os letrados e doutores, aos quais não é bom apresentar coisas espirituais, pois eles ficariam tolos e muitas vezes zangados como idiotas violentos. Não se deve jogar pérolas aos porcos. Mas se tu desejares ajudar alguém, aquele que achas que está pronto e adequado a receber e entender a Verdade espiritual, o melhor que tens a fazer é só lhe dar algo para ler; ou melhor, ler para ele, quando o tenhas reconhecido totalmente em teu espírito, pois a leitura poderia lhe ser mais prejudicial que benéfica. Pregar (ou falar) é melhor que ler, pois penetra com mais poder e é mais absorvido pelo ouvinte. O motivo disto só a experiência de todos os tempos te mostrará.

Atua tu também como os antigos o faziam e verás que estás certo! Isto Eu te digo, Eu que também preguei no tempo dos tempos. Amém! Amém! Amém!


UM RETRATO COMPLETO

(recebido por Jakob Lorber, em 11 de agosto de 1840)

Referente ao desejo piedoso que o pintor já carrega mais na sua cabeça do que no peito e nas suas entranhas, Eu digo que para Mim nenhum retrato, nem colorido, muito menos de madeira, ou mesmo de metal ou pedra, é de Meu agrado. Pois vede, tudo isto não passa de matéria e consequentemente de morte. Mas já que vós Me retratais cegamente na matéria, Eu vos digo: vós me retratais na morte; como uma criatura, parecido à Minha Pele externa, esta que já tantas vezes retirou de vós o Vivo de vossos corações e que colocou em seu lugar o retrato morto de Minha Pele. Por isto deveis procurar muito mais ao retrato vivo de Meu Amor em vossos corações, do que na representação exata de Minha Pele. Da mesma maneira que vossa vida não se localiza em nossa pele, mas sim em vosso coração, da mesma maneira toda a Vida não se origina de Minha Pele, mas sim da Minha maior profundeza e se esparge sobre vós, tal como na natureza toda luz e todo calor se originam no centro do Sol, onde habita uma minúscula centelha de Minha Compaixão e Amor. Vede, esta é a verdade. Mas já que vós assim mesmo desejais um retrato de Minha Pele, então Eu vou dar-vos, como dei um rei ao povo de Israel. Mas cuidado com aqueles que desejarem adorar ao mesmo! Suas almas se enfraquecerão, e seus espíritos dificilmente encontrarão Minha Vida, em toda sua plenitude. Esta é a figura de Minha Pele, especialmente da cabeça, dos cabelos, olhos, nariz, boca, orelhas, queixo e pescoço. A cabeça deve ter dez polegadas de altura sem os cabelos e sete polegadas de largura (no seu ponto mais largo) sem os cabelos; a testa tenha dois quintos de todo o comprimento do rosto; que o nariz seja 1 ½ quinto e desde o nariz até o fim do queixo também 1 ½ quintos. A testa tem o formato oval, sem rugas, e muito clara na cor, cheia de elevação divina; o cabelo que deve ser louro dourado claro. Os olhos devem ser grandes, a íris azul e a pupila bem preta, comparado ao azul da íris. Os cantos bem brancos e límpidos, os cílios longos e as sobrancelhas castanhas escuro e definidas. O nariz reto e nobre, delicado e não muito longo, mas também não muito estreito. A boca cheia de dignidade e graça, com os lábios entreabertos, como se estivesse a falar com o ser amado, não muito finos nem muito grossos, porém corretos, tanto os lábios superiores como os inferiores, suaves nos cantos e brando no meio. Um queixo um pouco proeminente, nem muito largo, nem estreito, enfeitado com uma barba um pouco mais escura que o cabelo, repartido no meio e que se afina em direção das maças do rosto e não deve ocupar mais do que um quinto da face. Também o bigode deve ser correto, deixando livres os lábios e os cantos da boca. As orelhas devem corresponder ao nariz e não devem ser cobertas pelo cabelo, o qual estará atrás das mesmas suavemente ondulado e que cai nos ombros, no comprimento de uma mão. O pescoço deve ser altaneiro como de uma virgem. A expressão deve representar um noivo que cheio de amor olha cheio de dor com o coração amoroso partido e com uma lágrima de despedida a cair dos olhos, despedida do mais verdadeiro amor . Está vestido com uma túnica israelita de um azul celeste profundo, com barras brancas da grossura de um dedo, em pé, descalço, a mão direita estendida em direção de vós pecadores como a dizer: “ Vinde a Mim os cansados e oprimidos, que vos aliviarei” , e a esquerda sobre o coração, também como a dizer: “ Filhos, este é o Caminho da Vida, esta é a porta para o Pai, e quem não passar por ela, não chegará no Pai! Este retrato tão bem determinado deve estar em pé sobre uma elevação atrás, da qual se eleva uma imensa glória . Tanto a Minha direita como à esquerda, duas grandes pilastras (uma de cada lado), enfeitadas com dois fogosos querubins. E no centro das pilastras se encontra a tábua dos mandamentos, carregada por um serafim. Partindo das pilastras deve existir um muro bem forte. No vale abaixo da elevação devem ser representados vários grupos de pessoas, dos quais a minoria volta seus olhares para Mim. A maioria está olhando para longe de Mim e estão parados sobre pedaços de tábuas de mandamentos destruídas. Bem no canto da esquerda podemos ver um bando de gente colocando escadas contra o muro e querendo escalar o mesmo. As escadas são curtas demais e frágeis demais, o que deve ser representado por escadas aos pedaços. Atrás de Minha Cabeça aparecem partes de uma cidade nova bem enevoada, a cidade divina em Deus, que começou a descer em vossa direção. Vede, este é pois o mais fácil retrato. Se for executado como Eu vos disse, mas será muito difícil realizá-lo sem Minha Benção. Mas se o pintor o desejar fazer, somente se o mesmo possuir um Amor férreo por Mim, este retrato surpreenderá a todos, mesmo àqueles que olharem só por curiosidade . Mas ele também amolecerá muitos corações endurecidos, pois não será só um simples retrato, mas sim a letra inicial da nova Jerusalém, e deve ser olhado somente como tal.

Amém! Eu , Jesus , o Verdadeiro Cristo, cheio de Amor e Sabedoria. Amém! Amém! Amém!

Sobre a finalidade da Nova Revelação

(Jacob Lorber, 21.8.1840)

A finalidade de todos estas Revelações consiste, primeiro, em mostrar à douta inteligência do mundo quanto é tola a sua ânsia de querer perscrutar certas coisas, nivelando-as à sua relatividade limitada, coisas que por sua profundidade, grandeza e santidade serão eternamente inalcançáveis para a esfera humana; mas um coração ingênuo e devoto poderá compreendê-las e mais ainda ­ para humilhação do mundo ­ até crianças no seu berço poderão receber este dom.

Outra finalidade é a de mostrar a vós, como a todo o mundo, os verdadeiros caminhos do Meu Amor compassivo para fundar a salvação eterna de todos os seres; e como, quando e porquê tudo está acontecendo. Assim, os céticos mundanos serão arruinados, ao passo que todas as coisas podem ser vistas em sua base verdadeira. Assim como um bom arquiteto sabe certamente para que isto e aquilo tem que ser como é, numa grande obra, do mesmo modo, sou Eu o único a saber a razão de ser e a finalidade das coisas e de que maneira, quando e como acontecem.

Quem pesquisar e meditar sem a Minha Graça, sempre erra o caminho. Mas quem vem a Mim, quem aprende de Mim no seu coração, haure da plenitude da Verdade e nem um til será alterado em toda a eternidade.

Em terceiro lugar, a múltipla maldade dos homens de todas as classes deve tornar-se manifesta – aquela maldade cega que leva estes homens a aviltar no lodo mundano da volúpia o que há de mais santo e puro, deturpando-o para condenáveis fins egoísticos.

Em resumo, tudo deve tornar-se manifesto perante o mundo, a fim de que cada um conheça sua situação. O próprio centro da Terra deve ficar patente, assim como uma refeição deve ser descoberta quando servida aos hóspedes. E não há Sol, por distante que seja, que não possa ser desmembrado sob o microscópio da fé viva e ingênua, ainda que sua circunferência seja maior que o maior pensamento de que sois capazes. E não há fio, por mais fino que for, que não possa ser exposto à ampla luz do Meu Sol da Graça. Sim, vou até formar de pontinhos corpos celestes transparentes, e decompor os sóis centrais em pontinhos desvendados, para que o mundo veja que Eu sou tudo no todo.

Se por este meio o mundo tomar juízo, compreendendo que fora de Mim não há salvação que possa ser procurada ou encontrada, então a Terra receberá o beijo da Paz; e cada um terá o seu cargo assegurado no amor em Mim, na vida presente e na vida eterna, tendo como única constituição o Meu Amor e a Minha Graça que inundam tudo. E assim aplainarei tudo, não havendo mais cataratas de água e avalanches de montanhas, nas apenas o mar de Meu Amor e as correntes da Minha Graça.

E vede, tudo isto deve acontecer para que a verdadeira igreja se purifique na Humanidade e que a sua vitória resplandeça mais do que a luz concentrada de todos os sóis. Haverá assim “um pastor e um só rebanho”, cujas ovelhas deverão sempre ouvir a Minha Voz até o fim de todos os tempos, quando toda a matéria será destruída no fogo do Meu Amor – ou ainda, no fogo da Minha Justa Ira, caso estas Minhas advertências devam resultar sem fruto, apodrecendo no lodo mundano.

Vede, chegou a época do “Pequeno Tempo”: Quem reparar nele, grandes coisas lhe advirão para todo o sempre. Mas quem se escandalizar, pondo em dúvida a Minha fidelidade, a este o “Pequeno Tempo” em breve passará e será sobressaltado pelo “Grande Tempo” da Ira Eterna. Por isto, seja como for, que se faça o que quiserdes! Mas nós, em todos os tempos nos encontraremos. Amém. Isto digo Eu, o Amor Eterno e a Sabedoria Eterna. Amém e Amém.


Mensagem do Senhor para o aniversário de Sua 1ª manifestação na escola triestina,

recebida por Gottfried Mayerhofer em 6.1.1871

Meus queridos filhos!

Alegro-Me de encontrar em vós o nobre sentimento de gratidão, pelo que vejo que reconheceis o valor das Minhas Mensagens, aceitando-as como orientação para vossa vida. Mantende ao menos esta firme vontade, sem a qual nada poderíeis conseguir. Mas devo vos dizer que a realização desta vontade deixa ainda muito a desejar. Há alguns entre vós que não apreciam suficientemente as Minhas Palavras, misturando ainda muitas idéias mundanas entre o Meu trigo. Há outros que consideram todas estas manifestações apenas superficialmente, não querendo abnegar-se a si próprio nem renunciar a enraizados costumes da vida. Há outros ainda que se deixam levar facilmente de um extremo ao outro, devido à falta de firmeza de sua fé interna. Vede, todos eles têm ainda muito de vencer no próximo ano. E justamente agora que Me expressais vossa gratidão, quero lembrar-vos até que ponto vossa vida não correspondeu às Minhas Dádivas e aos Meus Desejos. Recebeste uma plenitude de Pão Espiritual pelos Meus escrivães, vós o guardastes com cuidado, mas pouco se tornou realmente vosso alimento, pouco digeristes espiritualmente. Dedicai-vos cada vez mais a incorporar em vossos corações estas centelhas de luz do Meu Amor Divino, a pensar constantemente nelas e a agir em conformidade; é só então que podereis reconhecer o resultado final de Minha Graça! Que adianta o ler, o copiar, o encadernar com folhas douradas? Minhas Palavras devem estar escritas com letras douradas nos corações; é lá que devem ser guardadas, sendo vosso Eu, vossa alma, a preciosa encadernação.

Tratai de conscientizar-vos destas dádivas e de seu contento no seu verdadeiro valor; os próprios espíritos e anjos vos invejam estes dons.

Perguntai-vos com toda sinceridade quantos sacrifícios já fizestes por amor a Mim; asseguro-vos que descobrireis bem pouco. Como cumpristes o dever do amor ao próximo em palavras e obras?

Oh, meus filhos! Não conheceis ainda nem a centésima parte do sentido espiritual e do amor infinito escondidos nas muitas revelações que recebestes. Se vos abismásseis numa qualquer frase delas, todo um mundo infinito de verdades espirituais subiria em vossos corações.

Vede, para vos tornardes Meus Filhos, não seria de fato preciso de todas estas revelações que foram dadas à humanidade no curso de muitos anos; seriam suficientes os dois únicos, grandes Mandamentos de Amor. Mas como os homens gostam de procurar o que é importante só na superfície, penetrando raramente no interior, no lado espiritual duma coisa, por isto dei-vos tanto, dotando já o lado externo das palavras com tanto amor e verdades espirituais que até olhares que passam só ligeiramente por cima delas, encontram farto alimento, se bem que somente ao pesquisador dedicado se desvende no coração todo o infinito reino espiritual.

Na própria natureza não acontece o mesmo? Os olhos dum visitante superficial tornam-se felizes pela visão duma bela paisagem, duma linda flor perfumada, dum pássaro com plumagem encantadora. “Quão magníficas são as obras do nosso Senhor e Deus!” - exclamará. Mas se perguntardes a um naturalista, ele vos falará de milagres e riquezas inesperadas que se escondem na organização das mínimas coisas, como num miúdo musgo ou na construção duma penugem, não acessíveis à percepção dos nossos sentidos.

A mesma diferença que há entre um inocente viandante por regiões floridas e um pesquisador assíduo, existe também em vosso meio entre os gulosos de Meu Pão Divino, e os que realmente o comem e dirigem. Não fiqueis do lado dos levianos gulosos, mas saboreai o Maná Celeste em vossos corações, transformando-o em vossa própria carne e sangue. E será desta carne e deste sangue espirituais que poderá surgir o verdadeiro homem-espírito, prestes a vestir o corpo espiritual que lhe será necessário para sua grande vida futura.

Neste dia que festejais o aniversário de vossa União, lembrar-vos-ei: Não sejais apenas meros ouvintes e leitores do Meu Verbo; sede praticantes Dele! Por isto, vô-lo tenho dado, pois só pela ação podereis tornar-vos Meus Filhos, nunca, porém, apenas pela leitura.

Tomai a peito o que vos digo hoje, para que no próximo ano Meus Desejos se tenham realizado. Minha Benção certamente não vos faltará, mas considerai que Minha Benção só auxilia a obra principal que cabe a vós mesmos. A luta é vossa; Eu então apoiarei a vossa força na luta. Assim recebei Meu Amor e Minha Graça para o ano à frente; jamais faltarão a quem as pede, mas também não serão oferecidas aos tardios. Amém!

A Salvação

A vida do espírito, seu renascimento e a Vida Eterna da alma em liberdade total

Através da fecundação é formada apenas a natureza física e somente no sétimo mês da gestação é aberta a bolhazinha invisível para os olhos humanos na região do plexo solar. Esse invólucro provém do homem e contém a substância da alma que se transmite ao organismo através dos nervos. De lá passa como corrente elétrica para todos os órgãos e no final para o coração, o que geralmente ocorre no sétimo dia, às vezes mais tarde.

Três dias antes do parto é formado da alma um outro invólucro muito tênue, porém sólido, na região do coração. Nesse invólucro é depositado um espírito caído, todavia não deixa de ser uma centelha do Amor Divino. Conquanto o físico seja masculino ou feminino, o espírito não tem sexo e só no decorrer do tempo ele adquire uma tendência manifestada por meio de seus desejos.

Por ora é tal espírito ainda sem vida, como o foi há muitos eões dentro da matéria. A alma é uma entidade substancial e imponderável, simples, mas indestrutível e paulatinamente desenvolvida pelos cinco sentidos. Assim como anteriormente os humores físicos desenvolveram a natureza da alma, o espírito também deve ser nutrido pela circulação das substâncias mais sutis até sua maturação, podendo romper o invólucro e penetrar em todos os órgãos físicos. Deste modo torna-se ele uma terceira criatura pelo alimento racional da alma. O espírito possui, tanto quanto o corpo e a alma, correspondentes órgãos espirituais.

Se o corpo se alimenta através de todos os sentidos, o mesmo sucede com a alma e o espírito. Se o alimento comum é nocivo, tudo se contamina, tornando-se desprezível. Caso o espírito receba um alimento bom, isto é, o conhecimento de Minha Vontade revelada em conjunto com a fé viva, forma-se então no coração dele, um novo invólucro no qual fica depositada uma centelha pura do Meu Amor. Quando tal produto no Santuário amadurece, ele rompe os laços frágeis penetrando, qual corrente sanguínea, em todos os órgãos espirituais, o que se chama o Renascimento.

Se a fecundação ocorreu para a satisfação puramente carnal, é depositada naquele momento no corpo em formação uma quantidade de bolhazinhas infernais no ventre e nas partes genitais que também crescem quase ao mesmo tempo. Daí provém as tentações, porquanto cada um desses elementos tenta constantemente investir na vida da alma. Se a criatura não os enfrenta de modo próprio, com ajuda do Amor Renascido de Deus, eles invadem todos os órgãos e se agregam quais pólipos nos pontos em que o espírito penetra a alma. Se o espírito percebe não poder estender-se, a fim de absorver a plenitude da nova Vida de Deus, ele se retrai ao seu invólucro, junto com Meu Amor, ou seja, Deus na criatura.

Isto ocorrendo, a criatura se torna puramente material, sensual e se perde, porque ignora esse processo em virtude da insuflação agradável dos elementos infernais, que pouco a pouco se apossam dela.

Eis chegado o momento de a criatura procurar socorro junto a Deus por preces, jejuns e leitura do Evangelho, sentindo grande vontade de se libertar de sua aflição. Havendo seriedade em tal proceder, Eu começo a agir externamente, como Vencedor da morte e do inferno, pelas obras de salvação, empregando sofrimentos e atribuições. Então o mundo e suas alegrias se tornam tão amargos, a ponto de a criatura se sentir enojada e desejosa de libertação do sofrimento. Uma vez que os elementos não recebem mais alimento na alma, enfraquecem e ressecam quase totalmente nos órgãos psíquicos, atingindo um estado inconsciente. Quando o Amor de Jesus age nos órgãos infernais de corpo e alma, iluminando a mesma, que percebe pela consciência a quantidade de elementos próprios, ela se assusta. Isto provoca uma pressão no coração, no peito e no plexo solar da psique, que manifesta nessa dor seu verdadeiro arrependimento. O espírito nota esse fenômeno e começa a se manifestar em seu invólucro. O Amor Divino então o adverte dos Mandamentos de Moisés, seu cumprimento rigoroso, a fim de se humilhar e renunciar a tudo. Isto feito, o espírito renasce pelo calor do Amor Divino, invade todas as partículas da alma purificada, absorvendo tal pureza que o fortalece. Atingindo até o coração onde repousa o espírito, incentivado pelo Filho, o invólucro puro e divino se rompe com toda a clareza na alma e no físico dominado. Assim o homem se torna vivo totalmente, o que representa a Ressurreição da Carne.

A Palavra

O título é muito simples, mas muito importante e profundo. Através da palavra foi projetada a Criação é até agora é cada palavra a base de uma criação. Antes de tudo, temos que esclarecer o que vem a ser a palavra, a fim de assimilarmos sua significação profunda. Sem base segura e a consciência clara daquilo que se pretende explicar, não pode surgir um resultado racional. Em poucas palavras, é ela apenas um pensamento corporificado que se apresenta como ato criador. Contém em si, como em todas as criações, uma trindade: espírito, alma e corpo; ou seja: pensamento, noção e palavra. Assim como existe uma alma em todas as coisas, se bem que nem sempre consciente, que forma a matéria dirigida pelo Meu Espírito, a mantém e transforma, também uma palavra é uma noção corporificada, criada pelo pensamento.

Na Criação existiu primeiro o Espírito – Meu Espírito – que indicava a cada coisa sua consistência interna, seu tempo e transformação. Essa tendência é sua alma que forma o material seguindo leis originais, o conserva e, pela destruição, aperfeiçoa e espiritualiza, reconduzindo-o a Mim, ao Espírito Original. Assim, o pensamento é o princípio incentivador que se forma numa noção; esta recebe forma, conteúdo e importância através da palavra, prova visível de uma criação invisível. Da mesma maneira que Meu Pensamento Divino, manifestando-se como idéia ou conceito criador, recebe uma membrana muito sutil no mundo material, só por meio deste ato existe tudo que é criado, pensado e compreendido, formando um todo no Todo, mas também isoladamente.

Por esta explicação empregada à “palavra”, ela obtém sua importância por ser algo concreto, mas ligado a todo o mundo espiritual, que em si é de acordo com a expressão de uma palavra ou conceito e se torna um todo em profundeza e sabedoria isoladas, no entanto, ligado a tudo que existe.

Se na Criação um fator influencia algo projetado, pois nenhum ser ou objeto pode se esquivar, tampouco é possível a uma palavra existir sem resultado e efeito sobre outros seres, pois ela é um produto espiritual, criador, gerada e influenciada em todas as condições criadas, consistindo de pensamento, noção e aplicação do mundo material, ou seja, é uma prova visível de uma vida espiritual. Pronunciando a palavra: “Assim seja!” - Eu projetei todas as partículas do Meu Eu e lhes indiquei seus processos evolutivos de início, consistência e transformação. Deveriam voltar a Mim purificadas e aperfeiçoadas, para iniciar em degraus superiores uma vida nômade sem fim, por ser Eu Infinito como Criador. Subentende-se que não podia haver erros ou defeitos, que seriam também eternos.

Daí se conclui que algo criado por Mim não admite melhoramento ou sublimação, mas um processo constante de aperfeiçoamento que, todavia, já tinha sido determinado e bem elaborado no primeiro embrião. Tais condições de Minha Criação, generalizadas e isoladamente, expressadas na matéria, se repetem na vida espiritual e psíquica. O pensamento, a noção e a conseqüente palavra têm a mesma relação espiritual e o mesmo princípio infalível idênticos com Minha Criação em geral. Existe apenas uma diferença: um pensamento psiquicamente errado cria uma noção e uma palavra falsa. Assim como Meu pensamento só produz noção e palavra eternamente boas, o pensamento mau e errado produz um resultado mau e nocivo.

Percebeis que também as palavras humanas são tão infalíveis quanto as Minhas, somente num sentido diverso, porque a perfeição da vida psíquica ou espiritual não pode ser comparada com a Minha. Como Deus, o Próprio Amor, só posso pensar, agir e falar nestes princípios. Os espíritos inferiores, livres, podem pensar, falar e agir no sentido contrário, com ou sem vontade. Mas na atitude nota-se a conseqüência natural desta ação, de onde surge a sentença: Quem age contra Minhas Leis é responsável pelos efeitos!

Este preambulo era necessário para saberdes quão importante é a ponderação antes de se fazer um pronunciamento. A palavra está em vosso poder; mas o efeito, seu alcance, está fora de vosso âmbito. Cada palavra pronunciada não vos pertence, mas ao mundo total dos espíritos e almas, ao Infinito, de onde age constantemente, criando o bem ou o mal.

Aqui sou obrigado a chamar a atenção como e onde Minha Influência age sobre vossas ações, sem intervir no livre arbítrio. Deixo-vos pensar e falar à vontade; mas o efeito do pensamento corporificado, sobre outros, Eu reservo para Mim, pois entrelaço as ligações entre almas e espíritos de tal forma que o mal projetado tem que servir para o bem, às vezes indiretamente. Não retiro o efeito bom ou mau da palavra; apenas condiciono as circunstâncias de tal modo, a não faltarem advertências para aceitar com amor a palavra do bem e realizá-la, ou perceber a tempo o mal e agir então, para que não se perca a própria individualidade.

Vosso provérbio: “O homem põe, mas Deus dispõe!” – está certo. Podeis pensar e falar o que quiserdes; mas o efeito cai no Meu âmbito, influenciar com a palavra. Vamos, portanto, considerar o seguinte: Primeiro, refletir bastante a respeito do prejuízo ou benefício causado pela palavra. Segundo, prestar muita atenção ao conteúdo ou significado; pois as palavras são portadoras de potências espirituais que às vezes ocultam muitas coisas.

Com uma Palavra Minha surgiu uma Criação cheia de grandeza e beleza; e com uma palavra podeis, quando pronunciada a tempo e a hora, distribuir luz e bondade, quando então os mais potentes anjos junto de Mim sentem o efeito dessa simples expressão de uma alma que Me ama. Palavras de amor emitem amor, alegria e felicidade; as de tristeza, do ódio ou da inveja, o contrário. Elas têm que agir deste modo, porque o germe já estava na expressão. Tende cuidado de ouvir primeiro as Minhas Palavras, expressando somente as que contêm elementos divinos, e assim tereis paz e calma dentro e fora de vós. Uma boa palavra nunca deixará de produzir um bom efeito no adversário, pois é o poder do conteúdo que o domina ou desarma.

Vede como eram pesadas e escolhidas as Minhas Palavras, pois durante os Meus três anos de doutrinação falei não dentro do tempo, mas para a eternidade. E se Minhas Explicações até hoje ainda não são totalmente compreendidas e assimiladas, é porque contém o Germe Divino e não há poder que O possa destruir ou substituir. Minhas Palavras são portadoras da Luz do Amor que desceram do Céu, para reconduzir-vos a um imenso mundo espiritual. A palavra é tal semente de mostarda que deitada em bom solo crescerá para uma árvore de fé, em cuja sombra anjos, espíritos e todas as almas se deverão alegrar da Benção celeste.

Procurai assimilar a profundeza e projeção de uma palavra, para saberdes medir e julgar as vossas com maior cuidado. Assim entendereis melhor como Eu pude criar um mundo inteiro com uma Palavra, se conseguirdes imaginar o que se oculta em apenas uma só.

No primeiro capítulo de João se lê: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus e Deus Mesmo era a Palavra. Nela estava a Vida, e a Vida era a Luz dos homens. E a Luz iluminou as trevas; mas elas não A entenderam”. A Palavra era Deus, quer dizer, Aquela que por Amor projetou uma Criação espiritual e material, para que as criaturas reconhecessem que o Amor não pode estar só; precisa algo para prová-Lo e ser também amado e venerado. A Palavra do Amor criou mundos cheios de brilho e glória; Ela só podia criar espíritos de amor e esta Palavra despertava amor por ser o próprio Amor; de sorte que cada palavra vossa deve despertar o mesmo.

Amor é um laço poderoso que une os corações e só consegue usufruí-lo no ente amado. Se Eu assim criei a Palavra e o mundo, projetai vosso mundo espiritual. Amor é Vida, é a Luz dos homens que aquece e ilumina. Possam vossas palavras de amor propagar Vida de Amor, para que o efeito distribua felicidade entre os espíritos, almas e criaturas. Assim, a Trindade da Criação, da Palavra, produz tríplice efeito, espiritualizando a matéria, enobrecendo a alma e libertando o espírito divino; e tudo volta de onde partiu: a Palavra.

Possa ela, portadora de Luz e Vida, produzir bem-aventuranças e alegrias aceitas e transmitidas por vós. Em suma: Refleti antes de pronunciá-la, pois seus efeitos são imprevisíveis. Deste modo evitais muitas horas amargas em que talvez vos arrependeis de pronunciamentos impensados, sendo obrigados a vos condenar diante de vossa própria consciência. A fim de vos poupar, não Me canso de vos fazer compreender que tudo que é visível é apenas secundário, enquanto o espírito é o exclusivo portador, conservador e juiz.

Tanto na palavra fútil quanto na séria existe muito maior importância do que imaginais, e as conseqüências perduram eternamente, lembrando-vos da responsabilidade e da perda de tempo tão precioso. Sois filhos da Eternidade e de um Deus Eterno. Comportai-vos como tais, para que com cada palavra possam ser refletidos vosso começo e futuro, pois assim ela será portadora de Luz e Vida, podendo ser aceita por ouvidos e corações dispostos.

No princípio era o Verbo e Eu era o Mesmo! Também em vós a palavra deve traduzir vosso eu. Que não saia de vossa boca uma palavra que não fosse testemunha de vossa filiação divina, do Criador que fez surgir uma Criação do caos, onde o menor átomo foi prova de Meu Amor e Bondade.

É deste modo que vosso proceder se apresentará no mundo espiritual, onde sereis chamados a depor daquilo que falastes, onde e como, para evitar que o rubor da vergonha suba ao rosto e provando que, lembrando-vos de Minhas Palavras, usastes as vossas em benefício do próximo.

AMOR – PODER BÁSICO DA VIDA

1) Vigiai e orai, para não cairdes em tentação.

Embora teu Espírito seja de boa vontade, sua carne é fraca.

2) Quem não guarda esta vontade eterna permanentemente em seu coração, não está livre de queda. E quanto é difícil levantar-se aquele que caiu! Só uma profunda meditação a respeito da sua própria vida e do mundo que o cerca, pode erguer novamente aquele que se precipitou no abismo.

Toda criação visível, incluindo o homem, é constituída de partículas do grande e decaído Lúcifer, cujo espírito, com seu séquito, foram banidos na matéria.

3) A carne, portanto, é fraca. Não deves compreender por isto a carne de teu corpo ¾ que é uma carne morta ¾ mas sim a carne de teu Espírito, que é o amor deste. A carne fraca, guarda-o bem, está sempre exposta à tentação. Em ti, esta carne bem pode ser comparada a uma bandeira que o vento agita.

4) Eu, porém, vos digo: aquele cuja carne é ainda fraca receia galgar as montanhas, para escolher nelas uma rocha firme, sobre a qual poderá construir sua casa; prefere a várzea e a constrói ali, sobre a areia.

5) Enquanto as águas e as tempestades não batem em suas fracas paredes, a casa continua de pé; mas ruirá, fatalmente, com o vendaval. Ao contrário, aquela que foi construída sobre o firme rochedo, a tudo resistirá. Quem constrói na várzea e sobre a areia, só depois da tormenta é que pode compreender por que o outro preferiu o rochedo nu e cru. Mas aquele que construiu sobre a rocha, quando vêm as tempestades e as grandes águas, não se admira da loucura da escolha e da fraqueza daquele que construiu na areia. Por isto, ele vos dirá: “Oh vós, tolos! Como podeis Ter tido a imaginação de construir a vossa casa na areia da várzea?”

6) Vede: assim, ainda é fraca a vossa carne, e ainda não vos podeis separar da vossa casa construída na areia! Eu por isto vos digo que deveis orar e vigiar, para que, quando vier a tempestade, não sucumbais à tentação! Em que vos poderá ser útil o conhecimento, a boa vontade apenas, se esta vontade não for apoiada pelo amor, que é a carne no Espírito? Disto, algum dia, resultará uma ação?

7) O amor deve ser uma eterna mola da vontade; como a vontade, a própria obra!

Julgai vós mesmos: para que servirá o forte maquinismo de um relógio, se ele não possui também uma mola adequada a pô-lo em movimento, de acordo com sua finalidade?

Quem não sabe em quanta cousa a vontade toca sem nada realizar, porque a vontade sem o amor nada constrói?

Quantas moças não são, às vezes, motivo da vontade de um pretendente? Porém nenhuma delas se torna sua esposa, mas sim uma até então inteiramente estranha, somente porque ele procurou obtê-la não só com a vontade, mas também com o amor.

8) Em que consiste a causa desta ação? Não apenas na vontade ¾ que corresponde ao maquinismo do relógio, o qual não possui nenhuma mola na maioria das vezes, ou possui uma por demais fraca e ronceira, incapaz de marcar as horas ¾ mas sim sobre um justo e forte amor, que é a única força motora da vontade.

9) Tratai e fortificai o vosso amor. Isto é o verdadeiro “ vigiai e orai Comigo”, Eu, que sou o Eterno Amor mesmo.

10) Direi também com outras palavras:

Amai e agi neste amor Comigo. Não deveis somente ser de boa vontade, mas deveis AGIR POR AMOR; isto é: deveis agir no Meu Amor para convosco e deste então, do vosso amor para Comigo.

11) Observai o Meu tão leve mandamento do Amor! Confiai-vos absolutamente a Mim. Construireis sobre este rochedo a vossa casa e assim estareis seguros. Podereis, então, rir das tempestades e das águas, quando elas vierem. Só assim, vossa casa estará firme sobre o rochedo e o maquinismo do vosso relógio, da vossa vida, terá uma forte e indescritível mola de ação! Então aí tereis, com a boa vontade do Espírito, uma carne forte! E só então conseguireis, finalmente, a verdadeira ressurreição da carne, na qual vereis eternamente a Deus, o Amor Eterno, de semblante a semblante. A partir daí, vivereis e gozareis um amor para com Deus que não tem fim.

12) Vede: isto é a verdadeira ceia divina! Isto é o verdadeiro corpo do Amor Eterno, que vos foi dado em holocausto; é o verdadeiro sangue, que foi derramado por vossa causa! Comei deste corpo e bebei deste sangue, para que a vossa carne se fortifique e possa, então, ressurgir para a verdadeira vida eterna.

13) O Meu Amor é a verdadeira e grande ceia divina!

Quem observa os Meus mandamentos ¾ que São constituídos somente de Amor ¾ este também guarda o Meu Amor, o que quer dizer que este Me ama verdadeiramente.

14) Este que Me ama de verdade é aquele que come verdadeiramente a Minha Carne e bebe na medida justa o Meu Sangue, que são o verdadeiro pão e o verdadeiro vinho do céu, dos anjos e de tudo que é vida!

Este que come este pão e bebe deste vinho jamais, por toda a eternidade, sente fome e sede!

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AOS DESILUDIDOS

1) Quem analisa os acontecimentos do mundo cedo ou tarde verifica como e com que ele beneficia seus admiradores, seus servidores, seus escravos.

2) Que é o mundo? ? Nada mais que o corpo da morte, verdadeira sepultura sem raridades, mas repleta de imundícies nojentas, nauseabundos odores, cascas em putrefação, cercado tudo isto de uma legião de vermes vorazes.

Vede: estes são os tesouros do mundo! Embora horripilantes, são eles cada vez mais procurados, principalmente nesta época, com uma avidez apaixonada; a tal ponto que os homens cairiam na sepultura da morte eterna, se Eu, embora respeitando o seu livre arbítrio, não os socorresse com o Meu Amor de Pai, a fim de evitar uma ação suicida, que os atrairia fatalmente no auge do desespero.

3) Vede: isto é o mundo! Quão ignorantes e verdadeiramente maus são os homens que nele vivem! E digo mais: entre cem, atualmente não se encontra um “meio justo”; e entre mil, um “inteiramente justo”, tal é o grau de sua ignorância e cegueira.

4) Vede a moda vergonhosa: não passa de verme traiçoeiro da morte, a destruir corações em vida! Nela pousa uma das minhas maiores maldições! Ela é a própria sombra da morte, que causa a perda da vida a milhões de criaturas.

5) Vede a dança maldita: pode se compará-la a um ser humano à sua dupla sepultura: material e espiritual! O dançarino e a dançarina são animados pele morte, que os eleva e domina! Que devo fazer com eles? Deixo-os, porque já têm em si a sua recompensa no amor derramado.

6) E vede mais a usura, a ambição e a avareza: de cima para baixo, são essas três a “alma” das larvas humanas, pois o termo “homem” é para tais servos mortos da morte ¾ o usurário, o ambicioso e o avarento ¾ demasiado elevado! Sim, nem merecem ser eles chamados de pecadores, pois o pecador, às vezes é levado ao arrependimento, ou ainda possui o desejo de melhorar; enquanto que esta trilogia maldita de uma alma mundana, que mede o valor do homem pelo eternamente amaldiçoado dinheiro, não conhece arrependimento. Onde está o rico que se arrepende de ser rico? A sua avidez é infinita. Mais milhões tivera, mais milhões desejara. E, no entanto, uma gota de seu capital para o pobre é-lhe uma verdadeira sangria dolorosa. Quão poucos ricos há cujo coração bate pelos seus irmãos! Eu o sei muito bem. Eu vos digo: contando-os pelos dedos, ainda sobrariam alguns para aquela cidade que possuísse mais de quinhentos ricos.

7) Vê mais a infidelidade daqueles que estão cheios de amor próprio: acreditas que algum, dos que a ti se declaram, te ame pela tua causa? Crê-Me: Cada um ama a si mesmo, em ti. Mas como as más intenções das suas preferências são naturalmente rechaçadas diante de teus sentimentos elevados, sentem-se diminuídos ao teu lado, o que os faz sofrer; não só no seu amor próprio, mas também na sua sensualidade! Eis aí o motivo da infidelidade deles.

8) Queres ainda lastimar-te em teu coração por Eu te haver guardado cuidadosamente e livrado daqueles que não amavam fielmente, senão a si próprios? Direi mais: regogiza-te pelo que está te entristecendo! E crê-Me: a convalescença pela alegria de teu coração reflete-se duplamente em Mim. Por isso, não Me será difícil recompensar esse júbilo com um esposo que será para ti um verdadeiro anjo do céu.

9) Crê em Minha palavra: Eu estou mais próximo de ti, do que poderias sonhar! Por isso, se me procurares com o amor de teu coração ¾ amor que dispensaste até agora com quem não merecia ¾ na verdade, há muito terias Me encontrado.

10) Vê: a tua doença corpórea sou Eu! Sim, Eu mesmo estou doente em ti; doente de amor estou em teu corpo! Eis o motivo por que te sentes fraca e adoentada. Futuramente, dirige todo o teu amor dedicado ao mundo inteiramente a Mim. Assim, ficarei Eu sadio e forte em ti; e tu, Comigo, sadia e forte em mim.

11) Tu pensas sofrer em teu corpo. Oh não! Tal coisa não se dá! Tu sofres somente em teu coração; quero dizer, falta algo nele. E não esqueças: não de baixo e sim de cima é que vieste! Esta é a razão por que não te sorri a sorte do mundo.

12) Uma vez curado este teu coração, terás a saúde do corpo completa, porque tal doença é apenas fruto do mal plantado.

13) Mas este mundo, tal como se apresenta atualmente, não oferecerá para o teu coração duplamente doente o bálsamo curativo, mas somente Eu, se tu voltares para Mim! Somente em Mim, acharás a paz reconfortadora e jamais em parte alguma; tão pouco na fantasia de uma suposta caridade, ou entre as frias paredes dos templos, mas unicamente em Mim, pela CONFIANÇA e AUMENTO DO TEU AMOR para COMIGO!

14) Vê: o meu servo anteriormente era como tu, doente. Mas desde que ele Me achou, tem saúde, é alegre e livre!

15) Tu também podes ficar assim com saúde, se te voltares para Mim! Vê: Eu, teu Eterno e Santo Pai, nunca te abandonarei! Mas a Mim tens de vir pelo teu coração.

16) Assim sendo, serás coroada das maiores glórias! Porque, para Mim, só vale a confissão do coração; o restante de nada vale!

17) Por isto, vem a Mim, vem ao lado de teu Pai, ao teu Jesus.

Amém.

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A SUPREMA RENÚNCIA

“Por ventura não convinha que o Christo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória?” ¾ LUCAS, 24-26

1) Por ventura não convinha que o Christo padecesse estas coisas e entrasse na Sua glória?

2) Deste texto pode-se deduzir que a glória da vida eterna não pode ser alcançada pela grande leitura e sapiência, mas somente por uma ação constante de amor.

3) Aqui, ainda podeis alegar: “ Sendo o Christo em Si já a vida eterna e possuindo toda a glória da mesma, por que necessitaria Ele de padecimento para entrar nesta glória?”.”.”

4) Eu, porém, vos digo: Christo era um Homem e, como exemplo primeiro, tinha Ele que realizar em Si a glória perfeita de Deus, pelos Seus atos! E se Ele tal não fizesse, sucumbiria toda a Criação. Assim, Nele o Pai e o Filho tornaram-se outra vez Um; ou o que é o mesmo, o Divino Amor e a Divina Sabedoria! Antes disto, o Amor havia se separado da Sabedoria, porque a Sabedoria, na sua Santidade, havia se elevado a uma altura que tornara todas as suas exigências irrealizáveis!

5) Mas a Santidade se tornara estéril sem a Sua íntima ligação com o Amor. Como voltar, então, a reunir-se ao Amor? Para conseguir novamente esta união com o Amor Eterno e Infinito, que era o Pai abandonado, tinha que cumprir a Sabedoria eterna e Infinita no Homem Jesus; tinha que cumprir as condições de resgate para um perdão também infinito e eterno; tinha que se humilhar até o mais ínfimo da sua Santidade! Deste modo, unir-se totalmente com o Pai, o Pai Amor.

6) Por isto, Christo, como a Sabedoria Eterna e Infinita do Pai, rejeitou toda a sapiência dos sábios do mundo; e todos os escribas forçosamente tinham de se tornar um horror para Ele, uma vez que obras deles não estavam de acordo com os preceitos básicos da Divina Lei do Amor!

7) Ele, como a Eterna Sabedoria Infinita do Pai, tinha de realizar obras de Amor; tinha de ensinar aos homens a única Lei do Amor. Por isto, deixou-se aprisionar e sacrificar, por fim, pela sapiência dos fariseus e escribas, e suportou ¾ como Luz Infinita do Pai, ou o como Amor Infinito ¾ o maior vexame e, em Si mesmo, o maior obscurecimento, porquanto também ele exclamou: “Pai, por que me abandonaste?”

8) Mas que Ele, como a Eterna Luz Infinita em Si mesmo, tinha de suportar um total obscurecimento, prova aquele momento até agora por ninguém compreendido, durante o qual, depois da expiração do Christo na cruz, seguiu-se um total obscurecimento em toda a Criação infinita; e as luzes, não só do sol dessa terra, como dos sóis de todo o infinito, apagaram-se pelo espaço de três horas!

9) E este instante de trevas foi igual àquele do qual sabeis, em que a alma do Christo baixou ao inferno depois da morte, para libertar os espíritos que lá estavam aprisionados na antiga sabedoria, a fim de salvá-los e conduzi-los para a Nova Luz que começou a ofuscar pela reunião do Filho com o Pai em todo o infinito!

10) Christo tinha, portanto, de cuspir a velha lei de sabedoria em Si mesmo, até o último ponto do “i”, a fim de expiar todos os erros contra a mesma, perante o Semblante do Pai; fora necessário crucificar toda Sabedoria, para que o Amor do Pai fosse ressurrecto.

11) Se isto fez o próprio Deus, que, então, ireis vós fazer?! Pensais eventualmente que pela simples justificação da vossa sabedoria ingressareis na glória da vida eterna?

12) Se Christo, a Eterna e Infinita Sabedoria mesma, teve de realizar obras do Amor pelo exemplo vivo e deixar crucificar toda a sua Infinita Sabedoria, teve de descer às mais profundas trevas, para poder reingressar perfeito na glória do Pai ¾ que era o Amor separado Dele mesmo ¾ assim também os homens têm que seguir as pegadas do Christo, se desejam voltar com Ele na glória de seu Amor Eterno.

13) Na antiga igreja do mundo dizia-se: “ Vós, homens, só podeis alcançar a inatingível Sabedoria pelo Amor de Deus”. Com Christo, porém, diz-se: “ Agora sou Eu, como a Divina Sabedoria mesma, o caminho, a vida, a porta para o Amor do Pai. Quem quer chegar ao Pai tem de ingressar por Mim ”.

14) Mas como? Porventura pela Sabedoria, por Christo, como a porta e a Divina Sabedoria mesma? Oh não! Pois justamente esta sabedoria deixou-se humilhar até o último átomo. Ela, como inatingível Santidade do Pai, desceu abaixo de todos os pecadores; aquela Sabedoria, que outrora o mais perfeito espírito de anjo não podia contemplar na sua luz eterna e infinita, convivia, então, com os pecadores, comia com eles sob o mesmo teto e deixava-se, por fim, pregar na cruz por vós mercenários.

15) Desta infinita humilhação da Divina Sabedoria mesma conclui-se claramente que ninguém com sua orgulhosa sabedoria humana pode chegar à glória da vida eterna! A ninguém a sabedoria dos livros e do mundo pode servir de degrau para atingir o céu, mas somente sua verdadeira humildade, amor vivo, ativo e criador, provido pelo excelso Pai!

16) Em Christo inverteu-se toda a divina Sabedoria no amor do Pai! Assim, Pai e filho tornaram-se UM! Igualmente assim, os homens devem proceder. E enquanto o homem não humilhar em si, até a última gota, todos os desejos do seu orgulhoso intelecto, que são as causas de suas honras e glórias — sim, enquanto ele não colocar tudo aos pés do Amor e suportar, em conseqüência disto, um breve obscurecimento em toda a sua sapiência mundana — em verdade, não ingressará na glória do Pai.

17) Se Christo teve que sofrer tal humilhação, para poder voltar à glória de Deus Pai, também todo homem tem de, em vida, seguir o Christo, se deseja retornar à glória do Pai.

18) Christo, porém, não estudou em academias, para poder ingressar na glória do Eterno Amor como um sábio altamente instruído; mas a Sua escola denominava-se: HUMILDADE E AMOR ATIVO E CRIADOR!

19) Eu penso que mais alguma coisa sobre este texto não é necessário, porquanto, da mais profunda Sabedoria, foi tudo bem explicado.

FAZEI O MESMO E, ENTÂO, VIVEREIS.

Amém.

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PRÉDICA Nº 15

Exorcizão de um demônio – Lucas 11, 14-28

A fim de compreenderdes este fato, necessário é que saibais como os maus espíritos penetram no homem e o que realmente são, reportando-Me a épocas remotas em que só existia o mundo dos espíritos.

Por orgulho e teimosia o primeiro anjo, como portador de Luz, abusou do seu poder, rebelando-se com seu séquito contra Mim. Como não se sujeitassem à volta individual, foram banidos dentro da matéria, a fim de iniciar, numa longa trajetória de purificação gradativa, o regresso para o estado primitivo. Este progresso ainda hoje perdura, até que todos voltem a ser o que foram: reconhecedores do Meu Poder e Amor, e propulsores ativos de Meu grande plano criador.

Vede, naquela época em que – como hoje – a liberdade individual do espírito era irrefutável, dependia da vontade dos espíritos desistir ou não do caminho errado. Mas como nem todos eram iguais na compreensão e bondade, pois até hoje não existem duas criaturas espiritualmente idênticas, sua maneira de pensar e agir era mui diversa. Uns se satisfaziam com seu estado evolutivo, outros não. Uns resistiam às tentações maléficas, enquanto outros se opunham às influências do Bem.

Esta grande variabilidade, que existe tanto nos bons como nos maus espíritos, os quais mais facilmente reconhecem Satanás como Deus, ocasionava o movimento e a vida imprescindível para a existência do mundo espiritual.

Embora a multidão de espíritos caídos tivesse encetado uma outra direção do que lhes fora prevista, suas ações contrárias a Mim e ao princípio do Bem tinham de reverter em benefício de Minha causa. Os resultados que não correspondiam a seus desejos fazia-os reconhecer o Meu poder, do qual não era possível se esquivar.

A mesma agitação se dá no Além pelas almas desencarnadas de todos os planetas. Também elas têm livre arbítrio. Podem progredir ou retroceder; podem, num minuto, passar do sofrimento indizível d’uma consciência atormentada à bem-aventurança d’um anjo. Podem continuar naquilo que foram, quando encarnadas, ou piorar, pelo convívio com almas perversas. Seu raio de ação em nada é limitado, a não ser pelos meios obtidos em cada grau de sua evolução. Tanto espíritos primitivos como os algo evoluídos apresentam tendências para progredir, procuram se ocupar em alguma coisa; atraem outros seres, vivos ou não, para o seu âmbito, uma vez que suas próprias tendências permitem uma influência, outorgando-lhes suas opiniões e inclinações. Eis porque o homem é sujeito a este influxo, na medida em que for alimentando suas paixões, até que, finalmente, se torne vítima destes elementos entediados. Do mesmo modo que atualmente os espíritos agem sob os médiuns - obrigando os incrédulos a exclamarem: “Deve existir um outro mundo!” - os maus influenciam alma e corpo das criaturas, o que resulta em obsessão e outras doenças externas.

Se tivésseis a visão espiritual, veríeis um mundo inteiramente novo, que, tanto quanto o material, procura vos dificultar o caminho para Mim. Por isto exclamei no jardim de Getsemani: “Vigiai e orai, para não cairdes em tentação!”

Estas influências são no início tão sutis, ocultando seu veneno destruidor sob razões sofisticadas do amor próprio, que necessário se torna uma vigilância constante, para não seguir à vontade dum elemento estranho. Mas o espírito mau vendo a persistência da criatura em não ceder às influências deste elemento, em breve a abandonará, porquanto não quer perder seu tempo.

Repito: se tivésseis agora a visão das coisas espirituais, a penetração invisível nos pensamentos que acarretam constante mutação da matéria também se apresentaria no mundo espiritual – aliás de maneira mais poderosa, porquanto vos seria fácil vislumbrar as idéias de tais elementos.

Seria necessária uma outra percepção, que no mundo material não existe, porquanto no Além já os pensamentos são registrados, enquanto aqui um grande número deles passa desapercebido diante de vós, até que talvez o último externe, pela ação, a idéia de um outro ser.

Causar-vos-ia admiração ver como os desencarnados são recebidos pelos espíritos no Além; quais as lutas morais que uma alma enfrenta, até que possa caminhar independentemente. Não adiantará querer fugir ou simular. No Além a criatura é expressão do seu “eu” espiritual, conquistado nesta Terra não pelos atos, mas pelos pensamentos que deram motivo para os mesmos. O pensamento mais sutil, passando por vosso cérebro ou coração, se impregna na alma como efígie, originando o vosso corpo astral.

Se a criatura soubesse o que faz quando parte daqui com ódio, ou quando os parentes a amaldiçoam, apavorar-vos-iam diante das conseqüências. Tais pensamentos provocam sofrimentos horrendos aos mortos e podem até lhes despertar o desejo de receber os outros no Além, como vingadores. Por isto, sede bons! Sede rigorosos no vosso pensar! Com um pensamento mau atraís um exército de espíritos idênticos, enquanto que julgareis apenas pensar em algo, são eles que procuram vos enlear em suas teias, destruindo vossas boas qualidades, para mais tarde concretizardes uma ação má, que por sua vez trará conseqüências nefastas para vós e outros.

Isto se refere ao que consta no Evangelho, por ocasião do afastamento dum poderoso espírito mau que voltou com mais sete outros piores do que ele. É o quadro dum homem que conseguiu dominar uma tendência, julgando ter afastado de si um demônio; entretanto, entrega-se novamente aos pensamentos prediletos. Alimenta uma pequena chama e, como os insetos percebendo a luz, espíritos afins deixam-se atrair por ela. Uma tendência psíquica é uma atração, tornando-se um guia para os espíritos nefastos. Para lá eles vão, iniciando seu jogo diabólico com forças em conjunto, até que o homem atormentado lhes caia nas malhas da perdição.

O Além não é tão róseo como é apresentado por vossos sacerdotes, nem tão infernal como a fantasia de certos fanáticos pinta. O quadro verídico representa isto: o homem verá o Além de acordo com sua formação psíquica!

Um coração enobrecido, puro e dedicado a Mim, nada de pavoroso verá, nem na Terra nem no Além. Verá apenas criaturas perdidas, socorrendo-as como sempre o fez. Trazendo a paz consigo, a alma terá a paz. Portadora do ódio e orgulho, sentirá o mesmo às outras.

Em Minha criação só existe uma lei: da atração e do peso. A matéria é por ela condensada e mantida. Quanto mais pesado e concentrado um corpo, maior a força que une seus elementos; é uma pedra em bases sólidas. Quanto mais sutis suas substâncias, menor a força de coesão e mais fácil sua elevação. Quanto mais coesos os átomos, menos acessíveis são para a luz e o calor. Quanto mais leves, mais receptíveis para o que vem do Alto.

O mesmo acontece no mundo espiritual. O peso moral encarcera os espíritos dentro da matéria; quanto mais leve a mesma se torna, mais fácil lhes é o desprendimento. No primeiro caso trata-se de espíritos maus; no segundo, de mais luminosos, porquanto são os espíritos trevosos que se aninham e aquecem na luz de outros, pois lhes falta o próprio calor. Procuram os maus atrair os outros para as trevas, ou, no caso contrário, afastar-se delas.

Eis o movimento em todo éter: eterna luta ao lado da calma, perseguição e repulsão ao lado de atração e união; pois os espíritos têm de concluir seu processo evolutivo. O tempo não influi, pois a eternidade é longa. Ninguém é forçado. Terá apenas aquilo que deseja! Por isto, esforçai-vos em alcançar aqui a força precisa, para poderdes resistir às tentações no Além, juntando-vos aos bons espíritos! Resguardai-vos das maldições, pois os espíritos se vingarão! Não lhes sendo possível aqui, esperarão por vós no Além!

Disse no Evangelho. “Quem não é a Meu favor é contra Mim; quem não ajuntar Comigo dispersa!” Guardai bem isto! Abençoados os que ouvem o Meu Verbo e também o cumprem!

Podia vos dizer muito mais daquele mundo desconhecido por vós! Um pequeno vislumbre já vos foi permitido pela descrição do sol espiritual. Embora seja apenas um vislumbre da grande Verdade, é suficiente para não Me culpardes de não vos ter proporcionado a visão daquele mundo que será vossa morada eterna!

Quanto aos casos extremos, em que muitos espíritos maus se apoderam duma criatura de tal forma que o organismo é por eles dominado, são casos raros, permitidos por mui sábias razões. Para curar tal criatura é preciso que uma pessoa profundamente religiosa e de vontade firme, conhecendo o Meu poder e convicto da Minha ajuda, aja pela prece e pelo passe, como o fiz durante Minha vida terrena; mas não esquecendo de considerar se tal cura é de Minha vontade!

Tendes com esta mensagem um quadro nítido da vida dos espíritos, o que é de muita importância, porquanto vedes apenas o que ocorre diante de vossas vistas.

Eu sou Espírito; vós sois espíritos e a matéria também deverá se tornar espiritual. Recebestes a tarefa de penetrar neste grande âmbito espiritual com todos os seus degraus de evolução, podendo cada um conquistar o seu lugar destinado. Farei tudo para vos facilitar esta tarefa, encurtando-vos o caminho, para que possais, desde já, vencer os maiores obstáculos. Amém.

EXPLICAÇÃO DA REVELAÇÃO DE JOÃO

APOCALIPSE

A Revelação de João é um quadro moral de todas as épocas, desde a Minha Passagem ao mundo espiritual até a Minha Volta à vossa Terra. Esta Revelação já foi por muitos explicada, analisada e desmembrada; no entanto, ninguém até hoje encontrou a chave para poder abrir o livro dessas palavras santas, nem julgar os acontecimentos e as épocas que tinham que surgir após a Minha Passagem, enquanto o homem era um ser livre e dono de suas atitudes. Agora, que estamos quase no fim de todas as profecias e a maior parte já passou, vou explicar, passo a passo, esta Revelação. Então podereis vós mesmos julgar o quanto todos estavam distantes do verdadeiro sentido, porquanto queriam descobrir pela letra o que só podia ser explicado pela interpretação.

Enquanto o homem não entender o sentido espiritual da palavra é inútil querer entender Minhas Palavras no seu objetivo intrínseco. Até mesmo a grande massa das novas revelações que recebestes até então dão a mesma prova. Quanto mais elas são lidas, tanto mais se apresentam espirituais e muitas vezes até diferentes, tornando o sentido mais claro.

Deveis partir do princípio de que Eu – como o Espírito Supremo – só posso pensar e falar espiritualmente; e, além disto, era obrigado a enquadrar pensamentos e idéias ao vosso espírito humano, em quadros receptivos. Por isto, ainda nestas palavras, conforme agora as ledes, ainda não descobristes a última interpretação. Foi este o motivo que Me levou a adaptar as Minhas Idéias à receptividade de João. Se Eu tivesse falado de outra maneira, ele não Me teria entendido, ou então teria interpretado erroneamente as Minhas Palavras, ou ainda, não teria coragem de anotá-las, com medo de ser vítima de um embuste.

Deste modo, descobris nesta Revelação apenas quadros simbólicos. Por exemplo: A Ira de Deus, as pragas e outras tantas coisas que eram muito usadas na época dos profetas, não devem ser interpretadas literalmente.

Eu – Deus de Amor – não posso manifestar ira, ódio e vingança, muito embora, como Deus, poderia, por uma súbita destruição ou por uma obrigação moral, colocar tudo em sua devida ordem.

Porventura deveria Me alterar, Me aborrecer sobre fatos que Eu Mesmo assim criei? Deveria talvez pronunciar uma maldição sobre criaturas que tinham que cair no erro, a fim de que pudessem reconhecer as grandes virtudes e seu valor através do contraste?

Como apreciar a luz, se não houvesse sombra ou treva? Como sentir a força benéfica do calor, se não existisse o frio? Como entender a tão elevada virtude, a moral, caso não existissem os contrastes? Como entender a idéias de um progresso espiritual, se não soubésseis o caminho que leva para os erros?

Daí se deduz que em todas as Escrituras do Velho e Novo Testamento existem coisas que não devem ser interpretadas literalmente, muito embora contenham por toda a eternidade a grande semente do espírito. Por este motivo, os espíritos mais elevados, inclusive os arcanjos, hão de encontrar cada vez maiores revelações, à medida que evoluem e aumentam a sua compreensão espiritual.

Assim, todas as Minhas Palavras são um tesouro espiritual que jamais pode ser esgotado, porquanto sou um Espírito Infinito e só posso pensar infinitamente e falar de acordo com a Minha índole. Começaremos então, com os capítulos:

Os primeiros tratam, após a Minha partida, das sete comunidades que serviam como melhores bases para conter a minha religião ou a explicação do culto religioso judaico. Deveriam demostrar como se deve passar, aos poucos, do externo e cerimonioso para o entendimento espiritual, a fim de devolver as verdades básicas dentro da religião judaica.

Essas comunidades, que consistem apenas de pessoas escolhidas, eram principiantes, portanto sujeitas a erros e interpretações errôneas de Minhas Palavras. Eis porque o simbolismo. Os membros das comunidades deveriam se manter ao lado de seus guias que, como estrelas ou luzes, haviam de lhes mostrar os caminhos a seguir. Deste modo, as próprias comunidades, em união com seus guias, também se tornariam guias para aqueles que ainda estavam nas trevas.

Nos capítulos seguintes seguem as advertências, como todo mundo conhece. Surgiam falsos profetas, divulgadores zelosos e muitos erros do coração humano, porquanto o entendimento do Meu Verbo é interpretado diferentemente, por pessoas diferentes. Além do mais, essas comunidades não estavam todas nas mesmas condições entre si, mesmo com aqueles que eram obrigadas a conviver. Encontrareis as mais diversas condições de vida, por exemplo: o seguimento fervoroso de uma religião, assim como a queda da mesma; o mal-entendido; o vai-e-vem entre a condição espiritual e a humana. Repete-se o mesmo convosco que também formais uma comunidade, sabendo que também deveis considerar o frio e o quente, tanto quanto ele foi compreendido há mil anos atrás. Haverá discussão, a medida que pretendeis seguir a Minha Doutrina, porquanto vossas atitudes estão em contraste com o mundo externo.

O número sete é importante como símbolo espiritual, e tenho que chamar a atenção aos ímpares. Analisando o sete e o três, percebereis que podem ser separados, três à direita, três à esquerda e um no centro.

No sentido espiritual só existe harmonia pela presença de um ponto central, em torno do qual tudo se movimenta, depende e se apoia. Considerando Minhas Sete Virtudes, encontrareis a Ordem no centro; sem a Ordem nada pode substituir, sendo o tronco básico da criação. Muito embora ela tenha surgido do Amor, Sabedoria e Vontade, a Ordem tem que ser o fundamento do Rigor, Paciência e Misericórdia. Tomando as três primeiras virtudes: Amor, Sabedoria e Vontade, a Sabedoria é a base das demais. Analisando as três últimas, a Paciência é o fator principal entre sete sons, igualmente interpretações materiais de Meus Atributos.

O seguinte capítulo apresenta o Senhor e Criador dos Céus sentado num trono e rodeado de patriarcas e anciãos ornamentados com coroas de ouro. Tive que usar a inteligência de João para Me tornar compreensível. O número vinte e quatro – os anciãos, etc. era mantido pelos sacerdotes, em que o vigésimo-quinto (sumo-pontífice) completava o Conselho.

Quanto aos quatro animais e o mar de vidro, nada mais são do que atributos corporativos do Meu Próprio Eu: o leão, como força ou Onipotência; o bezerro, o quadro da meiguice; o homem, como potência espiritual; e o condor, como regente do éter universal. Se estes animais foram ornamentados com muitos olhos e asas, representam nada mais que o domínio geral sobre a Terra e Céus. O mar de vidro representa a Onisciência: diante dos Olhos de Deus tudo se torna transparente e, com a velocidade de um condor, Seus Olhos percorrem todo o Universo. Com a força de um leão ele rege tudo. Com a meiguice de um bezerro ele apaga todas as situações negativas, e com o espírito apresentado por um homem – a Sua Própria Imagem Sublimada e Espiritualizada – ele enobrece e espiritualiza tudo, a fim de que a matéria volte de onde partiu. A História da Humanidade é a volta daquilo que Ele projetou, e Ele está esperando esta volta, que tem que se tornar consciente.

E depois que todas as forças da Criação, conscientes ou inconscientes, se curvavam diante do Todo-Poderoso, também os patriarcas caiam de joelhos, a fim de trazer ao Criador o devido louvor que Ele merece, pois eles representam o grande mundo espiritual no Além.

Assim, João teve a imagem da majestade de um Deus, antes que ele fosse capaz de entender quem era Aquele que Ele Mesmo fez descer à Terra, a fim de salvar os homens de sua perda total e de sua dignidade espiritual. Eis o intróito para o grande processo da purificação, iniciada espiritualmente nesta Terra, a fim de que a Doutrina mais pura fosse fundada e merecedora de que o Senhor, como filho do homem, através do Seu máximo aviltamento, transmitisse aos habitantes do mundo a máxima dignidade humana.

Os próximos capítulos falam o que acontece no decorrer dos tempos e o resultado de tudo.

O Divino foi primeiro elevado pelos homens e depois aviltado, mas no fim vem uma vitória espiritual sobre a matéria e um reino efetivo de paz e de serenidade.

O próximo capítulo demonstra a João um livro escrito por todos os lados e lacrado com sete selos. Representa ele Minha Única Doutrina verdadeira, que Eu transmiti aos homens em dois mandamentos de fácil compreensão. A Revelação pelo Filho do homem, como ovelha, quadro simbólico da inocência e submissão, quer dizer, a abertura deste livro através dos Meus sete espíritos, de sorte que todos os homens da Terra e inclusive de todo o Universo deveriam sabê-lo.

O primeiro selo representa o quadro de um cavalo branco que surge como Meu Amor total, criado por todas as outras virtudes e com o arco, a fim de ferir os corações mais endurecidos, dissolvendo tudo no final pelo amor. O mundo foi criado por amor. Por amor desci à Terra. E por amor devo constituir a pedra fundamental, que deve representar indispensável, quando dois extremos se defrontam.

O segundo selo representa um cavalo vermelho, símbolo da Sabedoria ou, humanamente falando, do intelecto, da força racional que tudo pretende criticar. Ela há de comparar a Doutrina Divina com o ser material, e com isto surgirão as diferenciações. Não haverá paz, mas contendas provando as paixões humanas, que entram em conflito com o homem espiritual, do qual então surgem fanatismo de ambos os lados, guerras religiosas no exterior e lutas no íntimo de cada um, como conseqüência indispensável quando dois extremos se defrontam.

O terceiro cavalo era negro e tinha uma balança na mão. Era a vontade segura e justa, que pretendia seguir sua finalidade através dos maiores impedimentos. A Vontade também corresponde à Justiça que pesa os atos quando os bons se pagam por si mesmos e os maus se castigam. Justiça deveria existir em toda parte, tanto em questão de fé, como na vida social. Eu, como Cristo, ensinei aos homens a entenderem melhor a Doutrina. Ensina-lhes o amor e a sabedoria, a tolerância ou a justiça com todos, de sorte que estes três selos são a chave do como Minha Doutrina há de se espalhar, se ela pretende enobrecer o gênero humano.

O quarto selo mostra um cavalo pardo, de cor indefinida, nem frio nem quente, ou, como se pode dizer, a morte. Porquanto a morte não determina o cessar de tudo e sim apenas a transformação através da Minha Doutrina, subindo ou descendo. Subindo, para a espiritualização maior, pela sua aceitação; descendo, para o animalismo de todas as qualidades nobres que Eu havia depositado, como Criador, no coração humano. Esse selo corresponde também à ordem e ao desenrolar de tudo que foi criado.

Surge daí automaticamente a explicação do quinto selo, onde as oferendas demostram como o homem, por amor à Doutrina, se desfaz de todas as paixões. Também aponta a vitória de cada um que oferece sua natureza e seu corpo ao sacrifício. Deste modo, assim como a balança era a Justiça, agora é a recompensa e as maiores alegrias pertencentes àqueles que, em sua luta tremenda, não deixam de manter a Bandeira de Deus e Sua Doutrina.

O sexto selo aponta uma revolução total em todo o orbe; quer dizer, a tendência para a Doutrina espiritual há de transformar todas as condições sociais. O ímpeto de atingi-la fará com que os oponentes também se apressem. Surgirão guerras e destruição no íntimo e externamente. Os potentados hão de atacar os povos fracos, e os pobres hão de guerrear os fortes, quando se virem muito prejudicados nos seus direitos. Deste modo, a religião do Amor, da Paz e da Concórdia só despertará o contrário, e estas forças hão de se guerrear, até que o espírito venha a vencer. Portanto, este selo corresponde à Paciência, ou seja, toda e qualquer coisa contrária à Verdade é fútil. Quando Deus pretende fazer valer Seus direitos divinos, até mesmo as pedras têm que ceder, pois Seu Reino é a Justiça, é a Glória em Eternidade.

Os que foram marcados na testa superaram as suas fraquezas e receberam as bem-aventuranças das quais Eu dissera: quem crer em Minha Palavra e agir de acordo, há de saborear bem-aventuranças das quais ninguém jamais viu, nem ouviu. Tais bem-aventuranças são comparáveis a uma veste branca, correspondente à inocência. Os marcados hão de receber o prêmio por todo o seu sofrimento que passaram por Minha causa e por Minha religião. O quadro se desenrolará automaticamente, pois ─ partindo da primeira palavra de amor até as guerras de religião, perseguição e fanatismo religioso ─ representa toda a história da Minha Doutrina, em várias épocas.

A revelação do sétimo selo ou o fim deste processo de evolução, onde, não obstante todas as pragas e terrores, somente a Misericórdia aplaca a Sua Obra, é representada pelas trombetas e as pragas, como meio de purificação para reconduzir os homens para o melhor. Os clamores das trombetas são a interpretação das modificações morais e espirituais que se passam na alma humana quando a espada de dois gumes começa a agir através da dúvida e a suspeita tange a incredulidade como um açoite.

Deste modo, a oferenda do altar do amor se torna uma praga para a humanidade egoísta. Como tudo resseca, o próprio homem trancou o seu coração à todas as condições de nobreza, não querendo saber de religião alguma em que existisse um sacrifício e pretendesse por um fim às suas paixões terrenas.

Assim como o fogo tudo destrói, as paixões egoístas destroem todo o bem. Perseguições tomaram o lugar da tolerância em questões de fé. Procurou-se apagar com sangue o que era apenas possível através de uma natureza espiritual. Isto já se dava na época dos romanos, quando práticas de religiosos fanáticos inventavam todas as espécies de castigo, aos quais finalmente impunham uma elevação espiritual. O que ocorreu em particular, posteriormente se estendeu sobre todas as massas. À medida que os fiéis cresciam, tanto maiores eram as perseguições. Quanto maior o zelo para a Doutrina pura, tanto maiores os sacrifícios das mortes de mártires. Deste modo surgiram, após a queda do Reino Romano, dois bispos num trono, um em Bizâncio outro em Roma, nunca unidos. Ambos aproveitavam a desarmonia em seu próprio benefício. Assim como antigamente havia perseguição dos cristãos entre os pagãos, agora os papas perseguiam os homens que não acreditavam naquilo que eles achavam justo, ou que lhes convinha naquele momento.

A partir do tempo da divisão do Reino Romano, quando posteriormente do bispo se formou um papa em Roma, surgiram as guerras de religião, as discussões e concílios, as perseguições através de inquisições eclesiásticas, o domínio dos reis através dos papas, e finalmente as cruzadas. Posteriormente, os esforços da Reforma e suas conseqüências sangüíneas, bem como a mescla das raças humanas, o desenvolvimento de várias moléstias, como a peste. Tudo isto é representado através do som das trombetas.

E também o quadro espiritual da “luta da mulher com o dragão” representa a luta das paixões humanas e dos interesses humanos com o progresso espiritual da Doutrina de Amor. Finalmente, as dores do parto, a fim de levar a Obra iniciada ao seu dom, como também a discórdia tenaz, que mal instigava todos aqueles que se dirigiam para o espírito.

Todos estes quadros vistos por João nada mais representam senão a reação violenta que Minha Doutrina tinha que despertar, e, além disto, o progresso natural entre o bem e o mal, onde finalmente o bem há de vencer. É preciso não se chocar nas formas dos quadros. Eram de acordo com a época e com a maneira de se escrever. Não era possível influenciar a humanidade por muitos séculos de uma maneira diferente, pois ela não conhecia o amor, mas talvez somente cedia ao medo.

Se Eu tivesse ditado o processo total da evolução até o dia de hoje numa linguagem comum a vós, como Deus de Amor, as palavras teriam se perdido e ninguém se incomodaria com o sentido espiritual.

Os escorpiões, os dragões com sete cabeças, dez cornos e coroas douradas significam a interpretação diversa de Minha Doutrina, porquanto às vezes obrigava os homens, por meio do poderio humano, a aceitar certos dogmas e cerimônias, dos quais então nasceram muitas seitas religiosas.

Existe a demonstração da história do domínio da Igreja e os recursos usados para atingi-lo. Muitas criaturas tombaram vítimas do fanatismo da Igreja Romana e sua Inquisição. A descrição posterior traduz a desistência temporária de uma tendência religiosa, e aparentemente a matéria leva a melhor, sendo que ouro e prata são mais procurados do que o tesouro espiritual. Isto tudo pode ser lido nos próximos capítulos: a ascensão vitoriosa do mal sob o manto do culto religioso, bem como as descobertas das ciências, trazendo a queda do primeiro fator, mas também a queda de toda religiosidade e o ingresso para o materialismo. Prenuncia-se nestes quadros, portanto, a queda da Igreja Romana, não como se Eu a tivesse condenado, mas ela mesma provocou sua queda, colhendo seu prêmio de acordo com suas obras.

Os profetas assassinados apontam o martírio dos tempos passados, em que muitos homens apaixonados pela causa espiritual tinham que subir o cadafalso ou fogueira. Não se passava um século em que Eu não preparasse pessoas que profetizavam, a fim de que a humanidade não caísse num sono espiritual total.

As taças da ira e seus efeitos diversos representam as moléstias e guerras provocadas pela humanidade através de sua vida artificial e que às vezes também provocava terrores propositados. Ainda hoje podeis perceber como os efeitos do egoísmo, do materialismo, das paixões desenfreadas em sua totalidade, bem como no indivíduo, despertaram o seguinte: desastres de mar e terra provocados pelos elementos telúricos; a má conduta da economia dos homens, prejudicando o solo; os suicídios e assassinatos de todas as formas, como resultado da falta de um sentimento religioso, da fé num outro mundo.

Juntai isto tudo, usai a linguagem simbólica do Oriente, como fez o Meu discípulo João, e facilmente podereis ajuntar outras tantas taças da ira, para poderdes relatar os estados atuais.

Deste modo, Minha Doutrina passou por todas as fases que uma alma humana é capaz de sentir, partindo da Piedade mais pura à mais crassa falta de fé e à perda de tudo que lhe foi dado. Passou pela aceitação rigorosa do Meu mandamento à interpretação pedante de Minhas Palavras, chegando ao total desleixo por milhares de vozes ditas pela Natureza, visíveis e invisíveis. Eis o quadro espiritual daquela descrição. Foi dada em forma de chamadas de advertência, cuja não-aceitação pedia o castigo. As taças da ira, símbolo de que a falta de moralidade e o desrespeito psíquico se castigam a si próprios. Eis Meus sete predicados que instigam para melhoria, muito embora a natureza livre do homem se oponha, provocando apagar Minhas Palavras da humanidade, e a situação pior ainda consegue a melhoria de tudo.

A luta constante do dragão com o Céu; a perseguição da mulher com seu filhinho; Cristo, como defensor da paz; tudo isso está diante de vossos olhos. Haveis de compreender que neste vai-e-vem constante tem que surgir uma decisão que defina claramente quem é o vencedor e quem é o vencido. Estais marchando para esta época. Ela se apresenta sob o símbolo do Reino dos Mil Anos, como vida da paz espiritual daqueles que trazem o sinal de Deus em vez do animal.

Antes da Minha Encarnação, já havia uma luta espiritual entre espírito e matéria, em formas suaves. Mas depois de Minha partida, este processo tinha que levar a ponto final, de sorte que agora, depois da luta de mais de mil anos, tem que aparecer uma época de paz. Os homens voltarão a ser homens como Eu os criei e quis, se pretendem ser Meus filhos. Esta será a época do julgamento, em que o espírito vencerá a matéria. O homem, como cidadão entre dois mundos, há de se sentir tão bem nos dois, a fim de que finalmente Minhas Palavras sejam entendidas e a Minha descida ao vosso planeta seja apreciada e aceita com amor. Será a época em que o dragão será abatido e preso, e os dez mandamentos de Moisés e os Meus dois únicos mandamentos serão entendidos em toda a sua acepção. Nessa época de paz e de calma, o Meu Reino espiritual também participará, a fim de que aqueles que ficaram para trás possam progredir pelo exemplo dos homens vivos, muito melhor do que até então.

Esta época é designada na Revelação como o Reino dos Mil Anos, ou seja, a Nova Jerusalém. Antigamente, Jerusalém era o lugar onde se conservava a Arca no Templo, na qual ardia o fogo eterno e se anunciava apenas os salmos e os incensos nos altares de sacrifício como ofício puro para Jehovah. Esta Jerusalém maculada e ultrajada pelos seus próprios sacerdotes através de Minha morte como homem, em vez de trazer a benção conseguiu a maldição sobre si; esta Jerusalém, cuja queda foi anunciada pelos profetas e confirmada por Mim, há de descer espiritualmente sobre o vosso planeta. Hão de voltar, como no seu início, a paz e a calma para os que as aceitam Naquele que pregou, Naquele que sofreu, foi crucificado, porém também ressuscitou. Esta cidade, como símbolo da primeira comunidade do Criador com Suas criaturas, descerá com a palma da paz conquistada pela filiação divina, após luta e sofrimento. Assim como naquele tempo os judeus conheciam apenas uma Jerusalém, também haverá posteriormente apenas uma Igreja, haverá um Pastor e um rebanho. As seitas religiosas desaparecerão. Deus – o Criador e Senhor – que caminhou sobre o vosso planeta, será reconhecido como Aquele que Foi, É e Será eternamente vosso Guia e Pai de todos.

A comunidade do mundo espiritual ainda levará um acréscimo para Minha Vinda Pessoal entre Meus filhos, a fim de consolá-los e provar-lhes definitivamente que tudo aquilo que Eu disse e que escreveram os Meus apóstolos e o que João disse em sua Revelação se cumprirá.

Quando terminarem todas as guerras espirituais e materiais, facilmente Eu serei compreendido e Meu mandamento seguido de modo espontâneo, que começa com o amor ao próximo e termina com o amor a Deus.

Ainda assim, há de seguir ao Reino dos Mil Anos uma época em que a natureza animal dos homens fará um esforço tremendo, aliás, o último em que o grande espírito caído há de querer arregimentar suas falanges. Seu esforço será em vão e ele mesmo terá que se defrontar com a pergunta: para frente ou para trás? – o que definirá o seu ser ou não ser. Eis o escopo básico da Revelação de João. Dado em símbolos, mas lido com olhos e linguagem espiritual, demostrará claramente como esta florzinha do amor que Eu depositei no coração dos homens jamais poderá ser arrancada, não obstante todos os planos dos regentes no sentido material e espiritual. Esta semente de origem divina jamais poderá ser destruída. O amor é Meu Predicado Original e foi o motivo pelo qual Eu criei o Universo. Por acaso seria possível que esta chama se perdesse ou fosse destruída? Em vão todos procuraram abalar esta construção e também as criaturas tentaram a interpretação errônea de Minhas Palavras. Todo o erro caiu sobre elas, sendo obrigadas a colher o que tinham semeado. Deste modo, podemos ver aos poucos como todas as explicações científicas e os argumentos sinuosos contra a palavra de amor da Escritura Sagrada se derreterão como neve diante do sol da Verdade.

Quanto maior for a resistência de um lado, tanto mais rápido será o processo do outro lado. O resultado final de todas essas maquinações há de incentivar a Minha Doutrina, levando-a a uma luz justa, preparando o ingresso para o Reino dos Mil Anos. A Nova Jerusalém será o templo simbólico da Paz e da União entre Mim, a humanidade e o mundo espiritual, no qual não haverá mais conseqüências e taças da ira, mas sim os seres que vivem neste planeta, tanto na flora como na fauna, aceitarão o mesmo tipo de amor como ele é produzido dentro de cada um. A humanidade total, sustentada pelos laços do amor, há de ajudar a todos, onde não haverá senhor, sem servo, e somente o amor de irmãos, unindo todos os povos, fazendo desaparecer os limites territoriais, e os regentes e papas não poderão mais influenciar física e espiritualmente.

No seu íntimo, através de uma religião racional, hão de ouvir as insuflações de outros espíritos e a Minha Própria Voz lhes despertará a verdadeira fé. Deste modo, o intercâmbio com o mundo espiritual se tornou um meio de união que baniu a morte com seus pavores e apresentou-vos o outro mundo, tal qual ele é. Eis a explicação espiritual e total de João, não como o mundo a espera de Mim, mas como deveria entendê-la, caso fosse capaz de ler com os olhos do espírito. Símbolos serão sempre símbolos, mas cada símbolo contém um pensamento que procura se expressar individualmente. Não deveis procurar entender literalmente os quadros do Apocalipse, porque deste modo haveis de chegar a muitos contra-sensos. Além do mais, é preciso aceitar que no reino dos espíritos existe uma outra associação de idéias e pensamentos que entre vós. As visões transmitidas a João devem ter um outro caráter do que vossa ordenada linguagem atual. Em outras épocas, a expressão de um pensamento não era transmitida por palavras, mas por quadros simbólicos. Ainda hoje as línguas orientais usam os quadros simbólicos. Eis uma reminiscência de um tempo passado, no qual a humanidade estava mais próxima de sua origem, portanto, mais próxima também do mundo espiritual.

Todas essas provas demonstram que após o ingresso numa vida espiritual, segundo o grau de evolução, a linguagem e a transmissão entre espíritos é outra que a palavra demorada e cansativa que usais para transmitir apenas um pensamento. Toda a Minha Criação nada mais é do que uma linguagem espiritual, e ela continuará assim, até que possais entender o porquê mais profundo que provocou a sua criação.

Assim como tendes vossa linguagem e a Minha na natureza visível, também os espíritos de regiões superiores usam sua linguagem que, aparentemente, não transmite aquilo que ela oculta. Eis porque o esforço inútil de vossos filósofos de querer enquadrar imagens de natureza espiritual em palavras humanas. Também é o motivo de Minhas atuais Revelações, a fim de levar-vos à explicação da grande Revelação ao lado de Minha Criação espiritual. Deixarei ao vosso critério o entendimento destes quadros pacíficos, explicando somente os mais rigorosos, nos quais aparentemente só regiam a Ira Divina e o Julgamento, a fim de que não menosprezeis a Deus, que é apenas Amor.

Está se aproximando uma época em que o vento espiritual se torna mais forte. Hão de surgir falsos profetas, conforme consta na Bíblia. Abusos serão feitos contra a Minha Doutrina Pura, com a contribuição de espíritos; enfim, com tudo aquilo que possa servir à satisfação das paixões humanas. Antes que o Reino da Paz se aproxime, os próprios homens hão de derramar as taças da ira, porquanto os partidos espirituais e materiais se enfrentarão cada vez mais tenazmente, à medida que o tempo chega ao fim. Através desta luta se cumprirão as últimas taças da ira para aqueles que confessam que todo o esforço contrário e toda depressão e miséria são a causa do choro e ranger de dentes. Uns serão desolados, outros aguardarão o fim cheios de fé e também a vitória da causa com resignação. A maior parte da Revelação já passou, como cruz de evolução. Resta apenas o pior.

Paciência e confiança em Mim. Se quiserdes ser ou vos tornar Meus filhos, mostrai-vos dignos desse nome, que a palma da vitória não vos faltará. Preparai-vos para tudo. Não sou Eu, mas a natureza humana. A descrença artificialmente construída pelos homens, o incontido domínio e a ganância pelo dinheiro cumprirão também o quadro das taças da ira e de advertência. Há de se dar um processo de purificação antes que Eu volte a pisar o vosso ambiente; assim como uma tempestade purifica o ar do mormaço, atraindo para o solo todas as vibrações nocivas, para que volte a soprar uma brisa pura. O mesmo se dá num processo espiritual: como a reação é forte, surgirão rompimentos fortes, sem os quais não haverá uma definição.

Na Terra toda a luta há de terminar da seguinte maneira: todos os partidos hão de reconhecer sua inaptidão e a Minha Onipotência, contra a qual não há resistência. Aceitai esta explicação da Revelação, como um quadro que representa todas as fases que uma idéia de Deus teve de passar, a fim de chegar ao seu verdadeiro valor. É um simbolismo que demonstra o quanto custa para que o bem venha a vencer o mal.

Como pensadores espirituais, aceitai esses quadros como prenúncios interpretadores. Assim como João previu o processo do Cristianismo espiritualmente, ele também ocorre na vida de cada um, como processo espiritual e material.

Hão de ser despejadas lutas e taças da ira sobre as idéias. Feliz aquele que, aproveitando o pior, consegue absorver algo de salutar para si. O processo da purificação e evolução em toda parte é o processo do espírito contra a natureza animal, sacrifício de si mesmo e tolerância para com os outros.

Que cada um analise sua vida, podendo então decifrar sua história nesses quadros da Nova Revelação.


“VENDE TUDO QUANTO TENS!”

Lucas, 18.18

Meus filhos,

Quando o comandante Me perguntou: “Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a Vida Eterna?” – estava certo de ter considerado tudo que fosse necessário para este fim, dentro da Lei; por isso esperava um elogio de Minha Parte.

O mesmo acontece hoje em dia: existem muitas pessoas que afirmam não terem agido contra os Mandamentos, principalmente quando os seguiram sem seriedade. Mas considerar-se de tal modo, assim como o Espírito Santo aponta, já motivou o fracasso de muitos, pois exige a renúncia completa do seu eu, como se lê nas criaturas iluminadas pelo Espírito Santo.

Estas pessoas geralmente chegam à conclusão de que é preciso uma vontade inabalável, a fim de vencer as tendências e paixões que dificultam o cumprimento das Leis.

Por este motivo Eu disse ao comandante: “Vende tudo quanto tens!”.

O maior inimigo das Leis do Amor é a avareza, que procura conservar tudo para si; mesmo se tal alma recebesse muitos estímulos para o progresso espiritual, a avareza os sobrepujaria, de sorte que, como não poderia, o comandante se afastou e não mais voltou.

Do mesmo modo, muitos dos que são chamados recuam depois de terem alcançado o conhecimento da verdade, pois estacionam no momento da ação. Toda ação requer um sacrifício, seja na sujeição de sua mente – com que o amor-próprio se vê desautorizado – ou na aplicação de meios externos para seguir os mandamentos como o espírito o exige – como também às vezes se torna necessário.

Muitas criaturas alcançam o seguinte estado: esforçam-se para aprender, conhecer e aparentar muita coisa; por isto ajeitam sua vida de tal forma, que o aplauso mundano lhes seja tributado. Mas tal atitude os fará apenas aptos para o cosmopolitismo e não para o Reino de Deus, que deve ser construído no íntimo e de tal forma, que o amor-próprio não só fará o que o dever lhe impuser para não perder seu prestígio no mundo, mas o verdadeiro Amor Divino procurará principalmente provar nos outros sua caridade, de maneira tal que estes não se dêem conta disto.

Surgirá então uma ansiedade no coração, que não cessa até que a criatura dê ouvidos aos pensamentos vindos do Espírito Santo, fazendo-os surgir no campo da vida na matéria. Onde tal ânsia se manifestar Eu Me tornarei Regente da casa, ou seja, da habitação do espírito, que é a alma.

Num ambiente assim formado de criaturas que procuram ouvir a voz do espírito, não deixando que seja abafada por cálculos materiais, o Reino do Céu ou seu Templo será erigido, e estes ambientes ou casas formam a Igreja Invisível da qual Eu Mesmo sou o Construtor!

Analisai-vos, a fim de verificar se podeis ser admitidos nesta Igreja, em cuja porta se lê a seguinte inscrição: "Executai o Meu Verbo e não sejais apenas ouvintes, a fim de não vos trairdes!".

Lede este capítulo 18 e se por acaso achardes o seu cumprimento muito penoso, procurai o 27º, onde consta: "O que para o homem parece impossível, para Deus não o é!" , e vereis qual a colheita que podeis aguardar, tanto aqui como no Além! Considerai sempre que Eu sou o Verdadeiro, que cumpre todas as Palavras que proferiu!"

Amém! Vosso Pai Jesus.


VENDE TUDO QUE TENS E DÁ AOS POBRES;

ASSIM TERÁS UM TESOURO NO CÉU.

E DEPOIS ME SEGUE!

Lucas 18,22

Muitas pessoas já leram esse versículo, mas poucas - ou nenhuma - entenderam o que quer dizer o sentido deste pronunciamento. Também o teu irmão Ludwig escreveu há pouco, dizendo que ele não conseguia compreender o seu sentido. A fim de que vós e outros recebais a explicação certa, provarei que também as partes mais fáceis da Bíblia, aparentemente muito claras e compreensivas, ainda contêm um outro sentido que ultrapassa a esfera material, pois ainda só têm sentido espiritual.

Já deveis ter percebido que justamente em atitudes Minhas havia um conteúdo muito oculto. Provas disto se encontram justamente nas Prédicas. Se, portanto, nessas ações de sentido natural se oculta tanto assunto espiritual, podeis imaginar que numa expressão de Minha Boca haja assunto muito profundo, que servirá à humanidade e ao futuro reino espiritual como marco de Minha Humildade, a fim de animá-los a Me acompanhar. Muitos estudiosos bíblicos fizeram todo o esforço para decifrar o sentido mais profundo dos pronunciamentos, mas criaturas só podem decifrar coisas humanas e não espirituais. Somente quando a alma está espiritualizada, já pertencendo antes à sua prática eterna, poderá decifrar o cerne da casca. Chegamos à conclusão que o espírito tem que ser renascido na alma, acima da natureza e do raciocínio humanos, para então se desenvolverem as asas do espírito de Deus dentro da criatura. Aí então ela entende dentro desta Luz a única verdade, quer dizer, a sua anterior treva; então ela compreende como era ignorante. Sendo este processo também não muito fácil justamente pelo renascimento, as explicações, deduções e compreensões são erradas e muitas vezes até opostas àquilo que Eu dizia e fazia.

Eis, pois, aqui a explicação de Lucas: era a resposta que Eu dei ao capitão, um homem rico, que Me perguntou: “Como poderei conseguir a vida eterna?” E Eu respondi: “Vende tudo que tens e dá aos pobres!; assim terás um tesouro no Céu. Então vem e Me segue – só então!”

Bem, aparentemente tudo parece fácil. Em todas as épocas os Meus seguidores acreditavam entender esta frase, determinando de se desfazerem de todo o supérfluo, fechando-se em claustros ou vivendo como eremitas, pensando que com isto seguiam ao Meu texto. Em vez de pertencerem a uma seita qualquer, se enclausuravam. Inclusive o sexo feminino não ficava para trás, achando que ao menos os fundadores de tais Institutos escapavam a esta espécie de domínio do mundo e de suas tentações. Fundavam-se ordens religiosas, usavam-se cilícios e faziam-se até auto-flagelações, a fim de matar todas as paixões humanas e conservar o espírito mais livre. E qual foi o resultado disto? Justamente o contrário do que se desejava. Em vez de se libertarem dos laços, eles se emaranhavam cada vez mais no reino das suas próprias paixões baixas e praticavam – até hoje – crimes e vícios sob o manto de beatitude, dos quais o mundo, se os conhecesse, haveria de tremer de pavor.

E por que estes resultados apesar de tanto esforço? Justamente porque os Meus seguidores tomavam Minhas Palavras literalmente, não encontrando a explicação espiritual, porque não tinham capacidade de visão espiritual. Quando Eu disse ao capitão: “Vende tudo e Me segue!”, ele aceitou aquilo literalmente. Naquele tempo ele tinha razão de fazer assim como Eu lhe aconselhei, pois lá Eu Me encontrava presente, em Pessoa, ao Qual ele podia seguir. E além disto o destino de Meus seguidores Me era muito conhecido, muitas vezes melhor do que a eles mesmos, onde a riqueza não era uma coisa confortável e sim um impedimento para suas ações. Pois eles eram obrigados a pregar contra os erros dos ricos; e como poderiam eles mesmos, ricos, ensinar outros sobre aquilo a que eles mesmos estavam presos?

Também afirmei naquela época: “Se teu olho te aborrece, arranca-o; e se tua mão comete uma ação maldosa, decepa-a!”. Por que ninguém tomou essas Palavras literalmente e sim procurava apenas dedução espiritual? Porque ambos os conceitos eram dolorosos para o corpo. Se eles, nestas últimas palavras, tão facilmente podiam descobrir o seu sentido, também deveriam tirar a dedução do sentido primordial; até mesmo os Meus discípulos não estavam isentos de erros, como muitas vezes deixo transparecer, a fim de que não caíssem em deduções falsas e em idéias errôneas.

O próprio capitão Me respondeu que ele seguia desde a infância os dez Mandamentos e é compreensível, segundo seu sentido, que a balança não era tão sensível e muita coisa podia escapar de seu peso, quando inclinações e paixões de natureza humana os prendiam; como hoje em dia milhares de pessoas acham que seguindo as Leis do Estado também já estão justificadas como corretas, sem saberem quantos pecados podem praticar espiritual e fisicamente.

A Minha resposta ao capitão queria dizer naquela época: “Desfaz-te de tudo que agrada à tua natureza. Dá aos teus irmãos todo o teu amor ao próximo, e só então poderás meditar e seguir Minhas Pegadas, primeiro como aluno Meu e posteriormente como professor de outros. Eis o sentido deste versículo até hoje para o mundo, porque, se não Me podeis seguir pessoalmente como ele, sois sim obrigados a aceitar a Minha Doutrina, como sendo Minha Pessoa. Logicamente o sentido espiritual é o seguinte: Despi o vosso antigo Adão! Não deis aos bens terrenos maior valor do que eles possuem. Segui Minha lei do amor ao próximo, considerando toda criatura como irmão, ajudando-a e amparando-a segundo vossas forças, e assim chegareis pelo amor ao próximo ao amor de Deus, preenchendo com isto os Meus dois grandes Mandamentos como um Mandamento principal. Eis o sentido desse conselho amigo que dei ao capitão e também hoje passo para vós.

Minhas Palavras queriam dizer o seguinte: Abstém-te de tudo que possa impedir que evoluas. Desfaz-te de toda pressão material, para que se Eu te der – para fins melhores – alguns milhões, não venhas a sentir aquele peso e sim apenas um meio para ajudar o teu amigo. O desprendimento, ou a venda, a doação a outros, só quer dizer que tens que te vencer primeiro, antes que possas pensar numa vitória sobre outros. Eis o porque da expressão: “Afasta teus olhos de coisas que podem ferir tua dignidade humana e afasta tua mão, para que ela não cometa ações das quais serás obrigado a te envergonhar”.

Vencei vossa natureza natural, para que possa surgir a espiritual. Só deste modo podeis Me seguir, só deste modo vossa vida tem uma finalidade, e só assim todos os acontecimentos da vida terão o seu verdadeiro valor, conceito e julgamento para o progresso espiritual, para vós e para outros.

Enquanto não fordes senhores sobre vossas paixões, e sim elas vos regem, enquanto ainda estais de posse de coisas que vos prejudicam, deveis vos afastar de tudo que impede a imitação de Minha doutrina. Então tereis vos desfeito de tudo, vendido tudo e não tendes mais nada do que o amor para Mim e para o próximo, podendo deste modo agir satisfatoriamente sobre vosso irmão; e não como o capitão, que se levantou tristemente da mesa do pão espiritual. Dessa maneira deve ser entendido esse versículo.

Naquela época, para Me imitarem, eram feitos muitos sacrifícios pessoais que hoje em dia se transformaram em regras de abstinência. Meu Eu – como Pessoa – vivia entre os apóstolos e discípulos como uma forte atração e uma grande alavanca para todos, o que hoje em dia vos falta. Lá eles viam o que hoje vós tendes que acreditar e sentir. Eis a diferença de lá para cá. Lá Eu era Doutrinador da humanidade. Eu vim ao mundo para todos e Meus seguidores tinham que pertencer à toda humanidade, e todos os países deviam ouvir a Minha Palavra, razão por que a Minha Presença se teria transformado em um peso, se Eu durasse mais do que trinta e três anos.

Hoje essa exigência é muito mais um julgamento. Deveis ensinar somente um pequeno grupo, principalmente àqueles que Eu vos envio. Estes são os pobres aos quais deveis dar tudo que tendes em grande quantidade, e com estes pobres de espírito dividi o vosso tesouro espiritual, confortando, consolando, e assim também sereis apóstolos espirituais, como antigamente eram os Meus adeptos, que eram apenas disseminadores de assuntos espirituais, porque não estavam presos aos bens mundanos, e ainda que os tivessem não lhes dariam valor. Em cada época e sob todas as circunstâncias os meios e os caminhos têm que se modificar, assim como se deve imitar Minhas Palavras e Minhas Leis. E quando chegardes no Além, o apostolado, o professorado terminará; e a espécie de doação de tudo que tendes será diferente, mas levará à mesma meta. Por esta razão Minhas Palavras são sempre as mesmas, provocando sempre o mesmo e levando para a mesma finalidade.

Existia apenas uma Verdade e esta foi dada aos patriarcas (vide “A Criação de Deus”) e mais tarde aos Israelitas e à própria humanidade através de Minha Presença Pessoal mais eficiente, e agora como comunicação direta dada a vós de milhares de formas; e esta Verdade se chamará eternamente: “Tratai de vos tornardes Meus filhos, evitando todo o mundanismo que Eu Mesmo depositei em vós’”. Aprendei a lhe dar o verdadeiro nome, não dando maior valor a coisas que são supérfluas, como presentes e outros objetos. Não se trata de presentes, mas sim de uma escola de provação, a qual vos levará para lá onde vossa natureza natural não quer ser levada.

Se no mundo espiritual ou material não existisse luta, não haveria vida; a vida se condiciona justamente numa luta entre dois fatores: existir e perecer, luz e treva, calor e frio, espiritual e material. Sem estes opostos não haveria mundo material. Sem estes opostos não haveria mundo material nem sua finalidade, mas somente o enquadramento do espírito dentro da matéria; e pela tendência da libertação do espírito dos laços materiais surge aquilo que vós chamais de vida, que condiciona a seqüência da mesma; portanto jamais pode terminar, pois o estacionamento é morte e a morte desconhece coisas criadas por Mim – o Eternamente Vivo. Devem, portanto, existir dois fatores opostos que incitam o espírito ao progresso, a fim de que ele mesmo se desfaça de tudo que o impede de agir, se entregando justamente à sua origem. Então começa a subir e evoluir cada vez mais, sabendo por que ele foi criado e qual sua finalidade.

A razão da palavra é justamente o sentido espiritual, pois sem ele a palavra seria um eco sem volta e sem finalidade. E justamente como a casca encobre o fruto e o oculta, protegendo-o de todas as influências externas, repousa na palavra o espírito oculto, que naturalmente só pode ser entendido pelo próprio espírito. Enquanto Minhas Palavras não forem lidas espiritualmente, só podem ser mal entendidas e mal interpretadas, razão por que surgem controvérsias como as vedes no mundo.

“Muitos são chamados, mas poucos são escolhidos!” – também prova que Eu dei Minha Palavra a muitos, mas somente poucos a entenderam; e justamente esses poucos têm então a responsabilidade vital de conduzirem os muitos pelo justo caminho, pelo entendimento, o que até então era lacrado com sete chaves. Deste modo quero fazer-vos entender a Escritura, a fim de que também vós estejais em condições, com o tempo, de descobrir a semente; ou seja, o espírito e a Minha Linguagem daquele tempo sejam transferidos de um modo profundo, em vários idiomas. Por enquanto muita coisa ainda se encontra oculta numa nebulosa mundana, que tem que ser levantada, a fim de que o Meu Sol Espiritual penetre vossa alma e ilumine todos os vínculos, sem deixar uma só manchinha. Só então sereis capazes de seguir, como Meus atuais apóstolos, as Minhas Pegadas futuras. Antes que isto tudo aconteça, também vós – como o capitão – deveis vos afastar de tudo que tem um valor mundano e buscar o valor do espírito oculto, porquanto aquele repousa nas Minhas Palavras e jamais passará, enquanto todo o resto só pode provocar um benefício passageiro.

Tornai-vos pobres de riquezas imaginárias e sede ricos em espírito. Então não sereis obrigados, como o capitão, a vos afastardes com tristeza de Mim; mas seguireis alegremente Minhas Leis, como verdadeiros seguidores e filhos, para os quais vós fostes criados e que em muitos mundos Me amaram e amam como Verdadeiro Pai e Deus.


O SANTO PAI E SEUS FILHOS

(Cartas do Pai, 1º Vol.)

Hoje recebereis algo de Mim Mesmo, quer dizer, sobre a Minha Influência junto de Meus verdadeiros filhos. Eles Me procurando com seriedade, hei de Me aproximar cada vez mais através de uma percepção no coração, o que só é possível quando tentam espiritualizar sua alma. Quanto mais ela aceita tais Predicados divinos, tanto mais forte se torna o espírito, une-se a ela e participa na regência sobre o corpo. Ele deve ser dominado pelo espírito. Isto ocorrendo, a criatura passa a viver e ser dominada pelo espírito. Isto ocorrendo, a criatura passa a viver espiritualmente, pela submissão de seu livre arbítrio à voz interna e seguindo o que ela ordena.

Agora quero dar maior explicação a respeito da escrita mediúnica, o quanto ela é de grande perigo para vós. Se não ocorre uma íntima união Comigo e vossa alma ainda é totalmente de natureza sensual e material, o espírito também ainda é fraco. Se, no entanto, emprestais vosso organismo, ele adoece, porque a substância da alma é gasta por outras almas que se apossam dela e de vosso corpo. O próprio eu é repelido, embora reaja, e tal reação se assemelha a um céu nublado, no qual as nuvens às vezes são afugentadas e em seguida surge um pequeno raio de luz, que logo obscurece.

Como precisamente pessoas de físico sensível se prestam para tal função, facilmente ocorre que os espíritos se apossam do mesmo. Eu o permito, porque respeito o livre arbítrio de criaturas e espíritos. Todavia Me entristeço como Pai, por ter poucos que desejam escrever apenas em Minha Honra. Curiosidade inocente e às vezes de tendência dominadora é geralmente o motivo para tal empreendimento, quando então se aproximam espíritos inferiores que se adaptam a tal esfera, provocando infortúnios.

São poucos os que desejam entrar em contato Comigo pela escrita mediúnica, e tenho que guiá-los por vários meios e estimular sua vigilância antes de chegarem à verdadeira compreensão, pois se Eu lhes envio espíritos puros do Além que testemunham de Mim e de Meu Amor - com o que o espírito lucra em vez de perder - eles hão de homenagear a Mim e ao Meu Amor, repelindo todos os desejos inferiores. Com isto nosso convívio se realiza e Eu Me deixo encontrar à medida do esforço espiritual empregado.

Se o médium atinge este grau, ele jamais emprestará seu livre arbítrio, oferecendo seu organismo a um espírito, se ignora sua origem de natureza divina. Esta diferença se tornará fácil, caso entregue sua vontade não somente à escrita, mas toda sua ação e tempo a Mim, seu Santo Pai.

Se esta for sua tendência principal, Eu ajudarei ao seu espírito, de sorte que seus órgãos se tornam Meus, transmitindo-lhe palavras úteis para Meus filhos; nunca, porém, para interesses mundanos, mas para o progresso de sua vida espiritual.

Sede, portanto, precavidos; enquanto sou Proprietário de vossa natureza, não há outro poder a vos levar à ruína pelo intercâmbio Comigo. Mas repito: vossa maneira de viver, vosso tempo e toda vossa vontade devem motivar a união cada vez maior. Amém. Vosso Pai.


CARTAS DO PAI (2º Vol.)

“PORÉM A HORA VEM, E JÁ CHEGOU, EM QUE OS VERDADEIROS ADORADORES ADORARÃO AO PAI EM ESPÍRITO E EM VERDADE, PORQUE O PAI PROCURA ESSES QUE ASSIM O ADORAM”.

Antes que Eu tivesse tomado carne e corpo, a fim de que Me pudesse aproximar de Meus filhos, eles Me consideravam um plenipotenciário temível, um juiz implacável e justo, principalmente para aqueles que se sentiam induzidos a procurar algo superior, que entre vós se denomina DEUS.

Para que estas criaturas pudessem conhecer-Me como PAI, mostrando-lhes em palavras e ações o Meu grande Amor, Me vi obrigado a vestir a forma humana.

Os meus próprios discípulos sentiam a Minha Divindade; porém as perseguições por que Eu tinha que passar faziam com que a sua fé vacilasse muitas vezes, porquanto estavam desprovidos inteiramente do amor que tudo suporta e tudo sofre.

Por isso fui forçado a revigorá-los através de milagres, para que eles se preparassem a acompanhar-Me no penoso caminho da cruz, o qual, de acordo com a Minha Sabedoria e o Meu Amor, Eu não podia de todo afastar deles.

Assim como para o amadurecimento dos futuros é necessário o calor solar, também para o crescimento espiritual necessitamos da cruz. Ela se manifesta em parte por vicissitudes exteriores e em outra parte por desgostos íntimos.

Para alguns ela surge na adolescência e para outros só na idade madura. Estas determinações são dispositivos do Meu Amor como PAI, sendo este nome de muita importância para os filhos e seguidores, porque tudo que nos vem Dele nós aceitamos com mais confiança, procurando saber por que muitas vezes a nossa vida segue uma direção completamente diferente daquela que esperávamos.

Esta aproximação do PAI é plena de confiança e não cheia de temor, portanto é imprescindível que Eu receba verdadeiros filhos que Me amam como seu PAI, manifesto em JESUS. Quando aparecer, quero ser aceito por amor. Portanto, não vos amedronteis! O tempo é chegado em que se deverá abrir alas para Minha recepção.

Anunciai o PAI, como Eu Mesmo vos ensino, e entregai-vos a Mim, ao Meu poder protetor.

Hoje em dia se exige muito menos da vossa fé, do que antigamente se exigia dos Meus discípulos que Me acompanhavam e que não tinham prova cabal da Minha Divindade, como vós tivestes após Minha ressurreição e o crescimento do reino cristão. E no que se refere à renúncia e à coragem, estais longe de poder vos comparar com eles. Por amor a Mim não temiam vexames nem perdas; a própria vida nada lhes representava, mesmo que tivessem de sacrificá-la por Minha causa.

Podeis justificar-vos da seguinte maneira: “Tu queres, Senhor, que permaneçamos ocultos na doutrina.; mas Eu vos digo: somente porque nenhum de vós possui o amor dos Meus apóstolos. Continuo a apontar o ponto fraco em vós: crescei no amor, a fim de que a vossa lâmpada não se apague por falta de azeite, quando o noivo se apresentar.

Em verdade vos digo: chegou o tempo em que Eu quero ser reconhecido por todos como PAI e não como Deus justiceiro.

Deveis chegar a Mim em espírito e verdade, com o coração cheio de amor sincero, e Eu serei, com este nome, o Pastor de todas as ovelhas, ou seja, o PAI da humanidade! Amém.


FRAQUEZAS

Mateus 16, 16-23: “Eis que Pedro respondeu: - Tu és Cristo, o Filho de Deus Vivo! E Jesus respondeu: - Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque isto não te foi revelado pela morte, mas pelo Meu Pai no Céu.”

Pedro foi um apóstolo que Me amava com toda dedicação e também era sincero Comigo e com o seu semelhante; porém muitas vezes se alterava e com isto pisava aquilo que prometia desabrochar numa flor cheia de esperança. Por isto Eu tive que conduzi-lo com muita paciência, e esta Graça provocara nele um sentimento de gratidão, o que o ligava mais intimamente a Mim. Assim como Eu penetrava seu íntimo, seu grande amor para Comigo ajudava-o a Me reconhecer como o Verdadeiro Filho de Deus.

Desta forma existem muitas almas que na consciência de sua fraqueza se dirigem infantilmente a Mim, para Eu as ajude. Entretanto sempre se deixam envolver por suas paixões. São difíceis de educar, e Eu Me vejo obrigado a fazê-las passar por muitas humilhações, para torna-las mais atentas.

A consciência de que através de seu amor para Comigo estão unidas a Mim as torna muito seguras, de sorte que não reconhecem seu erro que as ameaça, porque Eu as faço sentir o Meu Amor; pois, muito embora Eu Me apiede de seus erros, Eu as amo, porque somente o amor de Meus filhos Me faz feliz. Para tanto sou obrigado a usar de certos meios para libertá-las de seus erros, fazendo com que venham à tona através de vários acontecimentos. Isso ocorrendo, elas mesmas Me procuram, pedem socorro em sua fraqueza, o que as esclarece que sem Mim nada poderão fazer para sua salvação, portanto seu estado ainda é deficiente.

O mesmo aconteceu com Pedro, cheio de zelo para Comigo; mas muitas vezes por uma única palavra agia contra Minha Vontade, como se vê neste capítulo. Ele queria Me ensinar, porque Eu falava do Meu sofrimento com os apóstolos. Tanto que ele disse: “Senhor, cuida que isto não aconteça!” – e Eu Me via obrigado a agir com muito rigor nestas controvérsias. Eis aqui a educação de Pedro como um quadro para a educação dos Meus seguidores. Sempre se torna necessário cuidar deles através de chamadas e humilhações, para precavê-los contra sua autoconfiança. Quanto maior o amor de uma alma para Comigo, tanto maior é o perigo de sua autoconfiança, não percebendo quantas paixões ainda ela carrega, que facilmente poderiam provocar sua queda, onde Eu, naturalmente, ajudo; entretanto poderiam ter sido evitadas pela vigilância. Em tais ocasiões Eu costumo retirar o Meu Amor, como Eu disse a Pedro: “Afasta-te Satanás! Tu Me aborreces, porquanto julgas divino aquilo que é humano!” – Muitas vezes trata-se de motivações racionais, as quais afastam uma alma para atalhos que somente pela conseqüência dura são reconhecidos, e se nota então o Meu descontentamento. Por isto, se alguém quiser Me seguir, que renuncie a si mesmo; seja desconfiado de sua própria força, tome diariamente a cruz nos seus ombros e Me acompanhe. Quem quiser conservar sua vida a perderá; mas quem perder a sua vida por Minha causa há de encontrá-la.


"O VOSSO CORAÇÃO NÃO SE AMEDRONTA; TENDE FÉ EM DEUS, QUE TEREIS FÉ EM MIM"

João, 14.

Carta do Pai - Traduzida por Yolanda

Meus filhos, como poderia ser mais compreensível quando disse: Deus e Eu somos Um! Portanto, se quereis ter a verdadeira compreensão, é necessário que reconheçais que Eu, JESUS, sou DEUS.

Todas as outras compreensões que vos ensinam a bem-aventurança pela fé são empecilhos, porquanto somente o amor unido à fé vos incentivará à obediência ou à caridade ao próximo.

Foi justamente para despertar este amor no homem que Eu vim a esta Terra, aceitando como Deus este invólucro material, o Meu Corpo, para com isto ensinar a humanidade perdida o caminho que conduz a Mim. Vim como Irmão necessitado, porquanto era pobre e nasci num meio humilde, sendo que os Meus tutores viviam do seu trabalho, no qual EU os ajudava quando menino.

Vede! Escolhi justamente este ofício por causa dos pobres; a Minha Sabedoria sabia que é mais fácil educar verdadeiros filhos para Mim pelo Meu exemplo de pobreza e humildade, do que se Eu fora representante da grandeza e da riqueza. Provei com isto, durante a Minha Doutrinação na Terra, que era mais fácil lidar com os pobres do que com os ricos, que só Me procuram quando sentem suas posses diminuírem, reconhecendo a impossibilidade de conservá-las.

É por isto que aquele que na sua riqueza não Me esquece, nem aos Meus pobres irmãos na Terra, tem direito duplo do Meu Amor e Eu o abençoarei física e espiritualmente. Vede, desta maneira, tanto a riqueza como a pobreza representam provação. Em ambos os casos o Meu Amor e Minha Sabedoria são idênticos, e tanto num como noutro podeis encontrar o caminho que conduz a Mim.

Isto prova que todos os homens recebem igualmente a Graça e é uma compreensão errônea, na qual se oculta o orgulho espiritual, quando pessoas desprovidas de bens materiais muitas vezes julgam que o rico possui mais, mas tem menos oportunidade de encontrar-Me do que eles na sua pobreza; Eu vos digo: o rico possui mais orgulho exterior, que é menos prejudicial para ele, do que o pobre que possui uma pretensão espiritual da sua cruz e da sua pobreza.

Minhas palavras foram muitas vezes mal interpretadas: "Aquele que o Senhor ama Ele castiga" - justamente quando a pessoa não sabe como interpretar a cruz que carrega.

Eu dedico o Meu Amor a toda a humanidade, quer dizer, também àqueles que aparentemente não têm cruz a carregar, mas que no seu íntimo muito se preocupam com a Minha Pessoa. Também existem almas que, embora não tenham motivo exterior, sentem uma saudade do Pai e se tornam mais acessíveis ao Espírito Santo.

Eles Me procuram no silêncio, como fez Nicodemus, quando veio a mim. Eu não os deixo sem a Minha Benção, seja aqui ou no Além.

Digo mais: "Na casa do meu Pai existem muitas moradas". Para cada um, de acordo com o seu mérito; porém todos farão parte de Sua Obra, que é a Verdadeira Igreja.


ASCENÇÃO DE NOSSO SENHOR

Carta do Pai, de 30 de maio de 1881

(traduzido em 17 de maio de 1950)

Meus queridos filhos,

Eis que Aquele que subiu aos Céus se aproxima novamente de vossa Terra, falando convosco pelo Espírito, cuja Voz podereis ouvir se o quiserdes, mostrando com isto a vossa vontade de agir conforme foi ensinado.

Assim como Eu, Jesus, tive que fazer a Vontade do Pai, para ficar em união com ele - pois o Amor Eterno só se pode unir ao amor terreno pela obediência - vós também deveis obedecer à voz da consciência dentro do vosso coração, que vos une com o Pai e vos castiga, prevenindo-vos do mal que emana do vosso egoísmo.

Eu tenho um direito sobre esta vossa consciência, pois ela é de origem divina e nunca estará de acordo com a vossa razão, quando agis contra a Minha Ordem. Seria possível que alguém conseguisse fazer calar a sua consciência? Nunca! Se bem que a criatura possa chegar ao ponto de não lhe prestar atenção, noutra ocasião, porém, ela se fará ouvir mais pronunciadamente.

Aquele que procura seguir os conselhos da sua consciência galgará degrau por degrau na ascensão espiritual, até se unir a Mim. Assim guiei o Meu Filho Jesus, de tal maneira que ficasse isento do mal, e os desejos provocados pela natureza não eram atendidos por ele. O corpo teve que se sujeitar aos desígnios do Espírito, possibilitando assim a Sua ascensão e glorificação nos Céus.

O Cosmos obteve com a Minha atitude a prova de que o homem, como Meu descendente, possui todos os poderes para viver unido a Mim, e este direito somente será conseguido pela obediência, pois Eu também fui Obediente ao Meu Pai até a crucificação, quando exclamei, após uma luta tremenda dentro de Mim: "A Tua Vontade seja feita e não a Minha!”.

Todas as criaturas que desejam ser aceitas como Meus filhos precisam almejar a desistência do seu eu mental, lutando contra as vontades deste eu. Não digo que isto seja fácil, mas é possível, e quem se prontificar com seriedade a travar esta luta, a este Eu auxiliarei, e assim poderá dizer: "Todas as coisas são possíveis àquele que crê!".

A Minha Ascensão à vista dos Meus discípulos deveria estimular neles a fé de que Eu continuava a viver no meio deles, protegendo-os! Reafirmei novamente a Minha doutrina e promessa com um ato visível para eles, a fim de positivar mais a fé e a coragem, deixando para os Meus sucessores uma recordação animadora, pois deviam confiar Naquele que reina nos Céus e de lá cuida de todos os Seus filhos, quando estes se deixam educar pelo Seu Verbo.

Por isto, a Minha primeira dádiva foi o espargir do Espírito Santo, ou seja, que o Meu Eu Divino Se fez sentir mais nitidamente neles, estimulando-os cada vez mais pela intuição e compreensão.

A Minha volta à Terra se manifestará também por dádivas espirituais, a fim de que os homens se tornem dignos de Minha Presença; porque enquanto a criatura não tiver saudade de Mim, Eu não Me apresentarei. Este é o motivo por que disse aos Meus discípulos: "Somente o Pai sabe quando voltarei!". O Amor Divino conhece o verdadeiro momento, pois Eu não quero surgir para o vosso julgamento, e sim para organizar, como Pai, a Minha Moradia Divina.

Ai dos infiéis que não querem estirpar de dentro de si as raízes do amor próprio!

Amém. Vosso Pai Jesus.

AGI - SEM INVEJA

Escreve, pois, algumas palavras para o teu irmão, já que Me pedes tão insistentemente. Diga-lhe que tenha mais confiança no Amor do Pai e na Sua Misericórdia do que até então e que ele não deve exigir o que não é possível.

Enquanto o homem vive na Terra e não pode deixar a sua roupagem, também não pode estar isento de erros.

Os erros devem auxiliar o homem ou a alma a se purificar, assim como o detergente ajuda a lavar a roupa. Reflete que no campo do espírito só podes agir espiritualmente. Por isto também teu irmão não pode ser totalmente puro e não deve se queixar, porquanto a carne já é em si um pecado, razão por que não pode viver perfeitamente livre nesta vida.

Ele deve considerar que este seu predecessor não se destina a ser o que ele é. O primeiro pode estar ocupado com o pensamento e prestar atenção à Minha Voz, para preparar as questões, enquanto tu estás ocupado em distribuir o pão que Eu determino ao Meu escrivão.

Vê, Meu filho, Eu organizo tudo segundo a Minha Sabedoria. Observa tua irmã (J.L.) tão simples: também há anos Eu lhe deitei a semente no coração e quanto tempo ela necessitou para que esta semente germinasse! Através da experiência muito amarga, sofrimentos, vicissitudes, ela caminhou a sua trilha, até que a semente finalmente chegasse a brotar. Vê, também ela se acha envolta por Meus oponentes, o que não é tomado em consideração, e em sua simplicidade ela Me pede confiante, pois Eu a conduzo, e a confiança total para com o Pai a acalma de novo.

Justamente a simplicidade e a confiança infantil me agradam e vos levam a uma vida mais pacífica, a fim de que a árvore que deve nascer possa enfrentar todas as tempestades da vida humana, e ainda assim ela traz frutos, razão porque Eu sou vosso Pai e vos tornei Meus filhos.

Não desanimes. O pequeno desentendimento vos serviu para nova vida, a fim de ouvirdes de novo a morte; mas Eu dei a Vida, devolvendo-vos a Salvação.

Meu filho, não exageres. Não sejas invejoso, mas te alegra sempre se jovens ou idosos se tornam preparados para a Minha futura Volta. Cada um a seu modo, como Eu o necessito, tem que Me servir, para que Eu possa colocar em vossas fontes as palmas de flores, como prova de uma luta vencida. Nada de pressa neste serviço. Ninguém pode tomar a Minha dianteira. Nesta vida ninguém pode deixar completamente suas fraqueza, porquanto uma fraqueza entrega a mão à outra, convidando a refletir como a taça do sofrimento tem que ser sorvida até a última gota, assim como Eu, após a luta vencida, pude pronunciar na cruz: “Está tudo consumado!”. Se Eu, como Homem-Deus, expirei na cruz, Me entregando ao vosso Pai, deixa também que Eu aja e providencie para que então as horas amargas de dissabores e ofensas não mais venham perturbar as vossas horas.

Isto te digo, Meu filho, que és um lutador e trabalhador na Minha Vinha; mas um excesso é sempre prejudicial e nunca purifica a alma a fim de que se torne um receptáculo digno do Meu Espírito.

Que isto sirva a todos para meditação. Para aqueles que não pretendem se cansar por Mim não sou Pai, mas sou Juiz para responsabilidade de Meus Ensinamentos, de Minhas dádivas tão abençoadas.

AMÉM.


O MAGNETISMO CURADOR

Lucas 6,19 – “E TODO O POVO EXIGIA TOCÁ-LO, PORQUE DELE EMANAVA UMA FORÇA QUE OS CURAVA A TODOS.”

Por diversas vezes Eu vos afirmei e vos orientei que Eu criei os homens segundo a Minha Imagem, tanto em espírito quanto em físico, a fim de receber-vos como Meus filhos, nos Meus Céus.

Mas se um pai terreno só pode entregar seus negócios ao filho - caso este aceite sua orientação, para deste modo conseguir a capacidade de aprender todas as aptidões paternas e tornar-se capaz de dirigir seus negócios - o mesmo acontece com os homens. Sou obrigado a evitar o desenvolvimento e a aptidão dos talentos que Eu depositei nos homens, a fim de evitar que se tornem um desastre em vez de uma bênção.

Por tal motivo essas aptidões existem ocultas e têm que ser despertadas e ativadas através da vontade para o bem, de sorte que só cá e lá elas se desenvolvem entre os homens. Por exemplo: o magnetismo. Na época atual é novamente aceito e praticado e também não pode mais ser negado pelos descrentes, porquanto consta no texto acima: "E todo o povo desejava tocá-Lo, porque emanava Dele uma força que curava a todos.".

Por aí vedes que dentro de Mim existia uma Força magnética muito grande, que Eu externava através do Meu Corpo para a cura dos doentes, tomando a dianteira como Mestre em ligação com o Amor divino - ou o Pai em Mim - aplicando-a para a bênção do Meu próximo.

Deste modo podeis vos reportar a estas palavras no Novo Testamento para a prática do magnetismo, mas também deveis valorizar tal força e aplicá-la para Minha Honra e por amor aos Meus filhos, sem egoísmo e vantagens, para que os outros reconheçam de que Coração surgiu tal força que não somente cura o corpo, mas também deve animar a alma para uma atuação benéfica. Agindo deste modo, não tereis feito usura com um talento dado por Mim segundo a Minha Vontade, enquanto outros, aos quais Eu também permito agirem por esta força magnética, já receberam o seu prêmio. Então eles dirão: “Nós não agimos em Teu Nome?!”. Todavia terão de se afastar de Mim, como malfeitores. Dirigi-vos nesta relação segundo Minha Vontade, para vos tornardes perfeitos no Amor, recebendo a vida eterna.


SIMON JONAS, TU ME AMAS?

Se Eu por três vezes perguntei a Pedro se ele Me ama, haveis de compreender a grande importância dessa pergunta. Ela estimula a fé para a atitude amorosa, pois somente desta maneira pode existir a fé bem-aventurada. Assim como Pedro logo respondeu: “Senhor, tu sabes de tudo, então também sabes que eu te amo!” – assim fala a fé de hoje. Mas se Eu dou o conselho ou a importância de cuidar de Minhas ovelhas, acontece que muitas vezes falta o verdadeiro amor. Eu não quero serviços trazidos pela fé, mas sim para os Meus, que Eu desejo saturar com o verdadeiro pão do Céu e não quero forçar ninguém a tomar conta de Minhas ovelhas. Por isso repito: - Tu Me amas? E só em seguida respondo: - Então vai tomar conta das Minhas ovelhas!

O trabalho de apascentar as ovelhas tem que ser feito por amor, caso desejeis conquistar alguma alma para Mim, mas que só pode existir quando este está dentro da Ordem de Minha Vontade, e esta Ordem Divina se chama: amor ao próximo. Todas as outras qualidades de amor que os homens desejam Me provar de uma ou outra maneira levam a enganos, como podeis estar cientes pela história da Igreja. Quantos sacrifícios, quanto ouro e prata, quantos silícios foram inventados pela fé falsa, muito embora se fale: “... por amor e maior glória de Deus!”. E a conseqüência de tudo isso era o maior afastamento Dele.

Meus filhos: justamente como Eu aplico o Meu Amor em vós silenciosamente e ocultamente, sem brilho, porém com muita felicidade, também deveis agir com vosso Pai; sem fazer grande alarde o amor deve ser efetuado, primeiro num círculo menor e mais tarde em projeção maior. Se vos causa repulsa tratar este ou aquele homem ou espírito segundo Minha Vontade, lembrai-vos da pergunta que Eu fiz a Pedro: “Tu Me amas?”.

Por isto, se não fordes estimulados pelo amor, porque não entra na vossa concepção, deixai-vos mover por Minhas Palavras: “Tu Me amas?”. Somente onde a própria vontade ou amor entra em campo, o Amor Divino começa a brilhar no coração e se prontifica para a salvação de outros, muito embora Me tivésseis dado a certeza que Me amais. Só quando tiverdes compreendido que deveis zelar pelas Minhas ovelhas, aceitando isto com amor, mesmo com grandes dificuldades, só então sabereis o pouco ou o quanto de amor tendes por Mim. Em tudo que fizerdes por Mim ou deixardes de fazer, ouvi a pergunta no vosso íntimo: “Tu Me amas?”.

Por este motivo, não esperai uma incumbência à parte; é o amor incumbido de representar para o vosso semelhante um bom campo de ação. Como, quando e de que maneira, o amor descobrirá, se Eu for o Regente do mesmo. Sede, portanto, também verdadeiros “Pedros”, porquanto a vós também Eu pergunto: -Vós Me amais?


QUESTÕES PRINCIPAIS PARA UMA AUTO-ANÁLISE

Durante a Minha educação convosco sou obrigado, através da influência de verdades espirituais, a vos reconduzir à vida diária, a fim de analisar-vos como e quando respeitais Meus Mandamentos; se atuais como criatura comum que finalmente só age segundo seus sentimentos, sem se honrar por grandes influências espirituais e que, todavia, em muitas ocasiões aplica grandes obras de amor, às vezes até maiores do que os Meus próprios filhos. Quero chamar a atenção de onde vem isto.

O inimigo, sempre à espreita junto dos homens, observa cada um, para reagir contra ele. E também sabe muito bem que a Minha Lei principal é o Amor. Por isto se alguém tenciona se tornar um filho de Deus, o inimigo lhe apresenta as próprias condições divinas, que aparentemente se tornam invencíveis ao iniciante, razão por que ele procura certos pontos e se desculpa com as suas condições externas de vida.

Se o inimigo conseguiu por maquinações encontrar a penetração na alma desta pessoa, abriu-se então uma porta muito grande e a entrega de uma alma a Mim é impedida, porque esta entrega exige obediência às Minhas Leis como elas são e também a confiança em Mim e dada por Mim, sabendo os empecilhos que se encontram no caminho para cumprir as Minhas Palavras. Mas justamente nestes empecilhos e mal-entendidos consiste para cada alma uma luta que leva à vitória. Nas dúvidas tão comuns entre vós de fazerem isto ou aquilo por amor, procurai diferenciar perfeitamente quantas influências negativas se apresentam, caso não confieis neste ou naquele assunto, e então tereis feito um grande progresso para vir para o Meu Lado.

Sou obrigado a vos dar este ensinamento, caso desejais progredir como obreiros do Meu Reino, pois agora começa a luta, naturalmente convosco mesmos, que deveis aceitar por Minha causa; e depois vem a compreensão de que sem sacrifício de vossa parte pouco acontece, enquanto Eu preciso confiar nos Meus servos. Por este motivo dou de fato a cada um de vós suas próprias condições, para que se torne claro o que quer dizer encontrar-se debaixo de Minha Bandeira, que tem as seguintes letras: Amai a Deus sobre tudo e ao próximo como a vós mesmos!

Agora pergunto: Até que ponto sois realmente mordomos fiéis com vossos bens terrenos? Quais foram os juros que obtivestes com vossos bens, determinando entre estes alguns para a realização do Meu Plano de Regência? Em que situação se encontra o verdadeiro amor a Deus e ao próximo? E mais: Subsistes realmente no conceito acima mais do que vosso próximo, que prefere desculpar-se que justamente o Cristianismo contém muitas falhas, razão por que ele prefere se isolar?

Eis as grandes questões de vossa auto-análise, que devem ser ordenadas em todas as almas que clamam por Minha chegada. É preciso que se bata na porta. Ouvistes Minha Voz. Por isto, abri vosso coração para a próxima chegada de vosso Pai.

Amém


PREPARAI –VOS, POIS ESTOU PRESTES A CHEGAR!

O capítulo 24 de Mateus contém um quadro verdadeiro de Minha Vinda. Meus próprios apóstolos se ocupavam muito com Minha segunda volta, razão por que lhes demostrava os sinais externos, para poderem organizar a Doutrina junto aos semelhantes. Minhas Palavras deveriam servir de orientação para os seguidores, a fim de que reconhecessem a época anunciada.

Por este motivo existem tantas referências neste capítulo, que em parte já se realizaram quando se trata de vivificar e reanimar alguns participantes da Cristandade em Minha Doutrina, que jamais pode fazer sucumbir um partido religioso. Cada qual contém algumas verdades originais em seus conceitos.

Eis o motivo das lutas em guerras religiosas, nas quais cada partido se apoia com maior confiança em seu verdadeiro Deus, e Eu também abençôo cada partido. Mas às vezes a derrota externa contém maior benção que a vitória, pois todo ímpeto está ligado à confiança em Mim.

Isto acontece a povos inteiros como também a seitas isoladas, mas igualmente com cada alma que, não obstante seu fervor para Mim, tem que enfrentar uma derrota observando os conceitos falsos e a injustiça, quando então não se emprega mais o calor do amor.

Tão logo tais experiências vos atingem, sabei que o tempo de minha Vinda está se aproximando. Cuidai que vossa fuga não ocorra no inverno, isto é, não vos afasteis do mundo com frieza e desamor, mas fugi junto de Meu Coração Paternal. Ele vos fortificará no amor, em vez de receberdes derrota em troca de vitória, podendo enfrentar o próximo com Amor e Justiça em vez de desamor e injustiça. Lede este capítulo com Minha Benção especial, para saberdes qual o vosso preparo para Minha Chegada. Analisai-vos se podeis resistir como bons e verdadeiros mordomos na fé, no amor e na finalidade, pois Eu costumo aparecer inesperadamente, sem que Meus filhos o percebam. Principalmente na época atual em que é preciso ajuntar para o Grande Dia e a procura de almas isoladas ocorre quando se anunciam grandes julgamentos, possam Meus filhos erguer suas cabeças na confiança de que tal dia é da Salvação e não de pavor. Meditai em cada ação sobre a seguinte pergunta: Como poderia resistir, se hoje o Santo Pai me procurasse?

Diariamente pedis pela Minha Vinda! Mas não seria vosso desejo que ela se atrasasse mais um dia? Não protelais por questões mundanas os bons propósitos que pretendeis realizar por Mim?

Vós que reconheceis Minha vinda nas palavras acima, enfeita-vos através de cada ação, carregando a bandeira da Cruz e aceitando tudo que Eu vos ordeno. Não me refiro a atos isolados, mas aos Meus ditames na Bíblia, procurando cumpri-los. Cada um de vós tem que ser especialmente guiado, para se tornar apto para a grande edificação.

Amém.

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