Quem era Jesus?


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QUEM ERA JESUS? --- Era de fato Deus? --- Ou era só homem, sem dúvida pleno de dotes e forças excepcionais, mas essencialmente apenas homem, como qualquer um de nós?  Nenhuma outra questão marcou com semelhante intensidade as pesquisas e contendas no campo teológico, desde os primeiros séculos da cristandade, até hoje. Está certo que desde o Primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia, no ano 325 da nossa era, os cristãos confessam unanimemente ser Jesus Cristo verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Verdadeiro Deus por Se Ter encarnado em Jesus a Própria Pessoa da Divindade, o Deus Eterno; e verdadeiro homem por Ele ter sido dado à luz por uma mulher histórica, Maria. Mas continuou o grande mistério: de que maneira, este homem Jesus pôde ser, no mesmo tempo, a Encarnação Divina, e daí Filho de Deus?

Para Deus poder Se encarnar na Terra, teve que escolher o homem no qual Se encarnaria.  Este homem era Jesus, designado e preparado para a Missão desde Eternidades.  Espírito e Alma Dele eram do Alto, do Reino da Luz, o que no Evangelho de Lucas (1, 35) está expresso nas Palavras que Gabriel dirigiu à Maria: “Espírito Santo descerá sobre ti e Poder do Altíssimo te envolverá com a Sua sombra; por isso, também  o Ente Santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”.

Nos relatos sobre a “Infância de Jesus” e “O Menino Jesus no Templo”, recebidos por Jakob Lorber, somos testemunhas da manifestação da Sabedoria e das Forças Divinas em Obra de Lorber; o intervalo dos 12 aos 30 anos é passado em silêncio. E é justamente neste intervalo que devemos procurar a chave para explicar-nos o fato extraordinário que este homem Jesus, que supostamente viveu até trinta anos como carpinteiro na família de Seu pai adotivo, Se apresenta, após o Batismo no Jordão, de repente, no pleno Poder de Forças Divinas.

É natural que nos perguntemos: de que maneira o Homem Jesus alcançou a consciência e Força de Sua Divindade, latente Nele desde Seu Nascimento?  Ela simplesmente irrompeu Nele em um súbito Ato Divino, no momento do Seu Batismo?     ---  Ou era o próprio Homem Jesus que tinha que esforçar-Se numa intensa luta interna, muito difícil para Ele Mesmo, como para Sua família, para chegar a reconhecer-Se plenamente UM com Seu Pai no Céu, e daí conscientizar-Se da Sua Própria Divindade?

A esta pergunta, o Próprio Jesus nos dá a resposta no “Grande Evangelho de João”, Obra principal da Nova Revelação, recebida pela Voz Interna por Jacob Lorber:

“Eu não trouxe tal Vida de Deus já no ventre materno a este mundo. O gérmen Se achava dentro de Mim; mas teve que ser desenvolvido, o que Me custou trinta anos de tempo e esforços. Agora estou perfeito diante de vós podendo afirmar ter-Me sido dado toda Força e Poder no Céu e na Terra, e de ser o Espírito em Mim completamente UNO com o Espírito de Deus, razão porque posso operar sinais jamais realizados por alguém.

No futuro, tal não será Meu exclusivo privilégio, mas possível também a quem acreditar em Mim, que fui mandado por Deus a este mundo, para dar aos homens que perambulam nas trevas, a Luz da Vida; e a quem viver então segundo a Minha Doutrina, que mostra ao homem, em toda clareza, a Vontade do Espírito de Deus estando em Plenitude dentro de Mim.

Tal Espírito é Deus; mas Eu como simples Filho do Homem, não O sou. Como já disse, tive que conquistar ---  semelhante a qualquer um de vós --- a Dignidade de um Deus, com grande esforço e exercício, podendo só então unir-Me ao Espírito de Deus.  Já estou, no entanto, UNO com Ele no Espírito, mas ainda não no corpo; isso será também alcançado, mas somente após grande sofrimento, e total abnegação humílima de Minha Alma” (G.E. VI, cap. 90,7 ---  8, resp. te 11 --- 12 no original alemão).

Esta auto-definição de Jesus nos confirma, no mesmo tempo, ser o Deus em Jesus --- “o Espírito de Deus” --- soberanamente distinto do Espírito do Homem Jesus  “o Espírito de Mim” --- eliminando assim a eventual idéia que o “Espírito de Deus” ou seja o Deus em Jesus, fosse substituir o Espírito do Homem Jesus, reduzindo o “Humano” Dele à  mera dualidade de Corpo e Alma, em detrimento da insubstituível trindade que constitui cada homem: corpo, alma e espírito. O esforço de Jesus era justamente de “unir-Se, isso é, Seu Espírito, ao Espírito de Deus”, pela luta da Alma que é o campo de combate. E Sua afirmação jubilosa soa qual verdadeiro grito de vitória: “Já estou UNO no Espírito com o Espírito de Deus!”

Devemos chamar-nos felizes, e ser agradecidos ao Pai, não apenas por nos ter assim revelado por Lorber o fato do Seu grande esforço para inteirar Seu Humano totalmente no Deus Nele, mas por ter permitido também conhecermos --- por assim dizer, como vivos espectadores  --- muitos detalhes importantes dos anos de luta que Jesus teve que travar no Seu Íntimo, para alcançar esta meta. O instrumento escolhido para trazer-nos esta profunda revelação era MAX SELTMANN que o Pai despertou em nosso século, como mais um porta-voz da Nova Revelação. Alguns pormenores de sua vida  e  missão são dados nas “Notas Biográficas”anexas (acima).

 O presente livro (Cenas Admiráveis) é a tradução dos fascículos 1 a 7 de Max Seltmann. O dia a dia de Jesus nos últimos dois a três anos antes de Seu Batismo e no começo do Seu Magistério Público é aí descrito com singelas palavras, mas que são tão vivas, que levam o leitor não apenas a conhecer fatos nunca revelados até agora, mas a preparação do Homem Jesus para a Sua Missão -- 

 

--- seja no convívio nada fácil com Sua família, até com Maria, Sua Mãe, que Jesus quer levar à compreensão de Sua luta interna e de Seu comportamento muitas vezes estranho para eles;

--- seja acompanhando-O no cumprimento de Suas tarefas profissionais como carpinteiro, quando, durante numerosos encontros, Jesus manifesta por atos e por revelações importantes cada vez mais Suas Forças e Profundezas espirituais;

--- seja comprovando — em contatos com mensageiros da Luz, como Gabriel e Raphael, ou com espíritos das trevas que reconhecem Sua superioridade sem, no entanto, querer segui-Lo — ser Ele já Dono absoluto também nos reinos psíquico e espiritual.

 

 

Mas qualquer que seja o aspecto que mais fala ao coração do leitor, eu vejo ---    me seja permitida esta confissão pessoal --- a Mensagem Central destes sete fascículos nas Palavras que Jesus dirigiu à Sua Mãe no primeiro capítulo do fascículo 5, quando ela perguntou: “Não és já há muito tempo Filho de Deus?” ---  E Jesus: “Sim, o sou porque Eu sou de Deus! MAS EU QUERO SÊ-LO POR MIM MESMO!” ---  É o tema constante que permeia esta obra: Jesus, sabendo no íntimo ser de Deus, esforça-Se para levar também o Seu Humano, o Homem Jesus, à integração perfeita com o Deus que Ele é; no mínimo, mostrando assim ser isto também a meta a ser aspirada por todos os homens.

 

 

Eis, em resumo, a resposta que os sete primeiros fascículos de Max Seltmann (CENAS ADMIRÁVEIS) dão à nossa pergunta inicial: “QUEM ERA JESUS?” --- Era Homem no pleno sentido da palavra, mas escolhido desde Eternidades para Deus Se encarnar Nele.  Desde Sua Concepção na Virgem Maria, a Vida Divina já estava Nele; gérmen para Plenitude de Vida e Forças Divinas, ao ponto que Ele pôde dizer-Se completamente UM com o Espírito de Deus Nele, culminando Seu esforço (no fim de Seus dias terrestres) na total integração (até do Seu físico) na Essência Espiritual Divina Nele, pela livre aceitação de Sua Morte na Cruz, o que O consagrou na Ressurreição como DEUS --- nosso Deus!

 

Que a leitura desta obra traga ricas Bênçãos para quem a acolher com boa vontade!

 

Rio de Janeiro, 25/03/94.

 

Jaime M. Murböck                                                    tradutor alemão / português

                               

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         A NATUREZA DE JESUS   (do livro “Infância de Jesus”)

 

Na Escritura consta: Ele aumentou em Graça e Sabedoria diante de Deus e dos homens, continuando submisso e obediente aos genitores, até iniciar Sua Doutrinação.

Pergunta-se: Como podia Jesus, o Ser Supremo, único e Eterno, aumentar diante de Deus e dos homens, em Sabedoria e Graça? Precisamente diante dos homens, sendo Ele, o Ser infinitamente Perfeito, desde eternidades?

A fim de se compreender 'este fato, preciso é considerar-se Jesus não como Divindade isolada, e sim, como homem no qual a Divindade eterna Se havia encarcerado, como que inativa, de igual modo que o espírito de toda criatura se encontra enclausurado.

Aquilo que todo homem tem que executar dentro da Ordem divina, a fim de libertar o seu espírito, o Homem Jesus também teve que realizar, para libertar dentro de Si, a Natureza Divina e unir-Se a Ela.

Toda criatura tem que alimentar certas fraquezas, de certo modo as algemas do espírito, pelas quais ele se acha enfeixado como em uma redoma. As algemas só podem ser rompidas quando a alma amalgamada à carne se tiver fortalecido através da justa renúncia de si mesma, a ponto de prender o espírito liberto.

Eis o motivo pelo qual o homem apenas consegue conhecer suas fraquezas, por meio de variadas tentações, de que forma o seu espírito se acha encarcerado.

Quando a criatura renunciar, psiquicamente, em tais pontos, ela solta as algemas do espírito, fortificando a alma. Quando esta for fortalecida com os laços antigos do espírito, o próprio espírito passa à alma forte, que deste modo atinge toda potência divina do espírito, unindo-se a ele, para sempre.

No desprendimento de uma algema após outra, consiste o aumentar da alma em força espiritual, ou sejam, Sabedoria e Graça. A Sabedoria é a visão clara da ordem, eterna de Deus, e a Graça, é a Luz do Amor eterno, pela qual todas as coisas, suas relações e caminhos, são iluminados.

Isto se dando na criatura, tinha que acontecer também com o Homem-Deus, Jesus. Sua Alma foi semelhante a qualquer alma humana, e presa a muito mais fraquezas, porque o poderoso Espírito de Deus tinha que Se algemar com laços fortíssimos, para ser contido em Sua Alma.

Deste modo, também a Alma de Jesus teve que passar pelas maiores tentações, através da renúncia, a fim de soltar os laços de Seu Espírito divino, fortificando-Se para a infinita libertação do Espírito de todos os espíritos, tornando-Se Una com Ele.

Nisto consiste o aumentar em Sabedoria e Graça, da Alma de Jesus, diante de Deus e dos homens, à medida que o Espírito de Deus Se unia paulatinamente à Sua Alma divina, ou seja o próprio Filho.

De que maneira vivia Jesus, o Senhor, entre os doze até os trinta anos? Ele sentia constantemente, e de forma viva, a Divindade Onipotente; sabia em Sua Alma, que tudo no Infinito, era e tinha que ser submisso ao menor aceno Dele. Junto a isto sentia o forte ímpeto na alma, de dominar sobre tudo.

Orgulho, tendência dominadora, plena liberdade, queda para o conforto, atração física para o sexo oposto, etc., além de ira, eram as fraquezas principais de Sua Alma. Todavia lutava, com a vontade psíquica, contra todas essas inclinações poderosas e mortais de sua psique.

O orgulho. Ele dominou pela pobreza; que recurso duríssimo para Aquele a Quem tudo pertencia, no entanto não podia ter propriedade alguma.

A tendência dominadora. Ele controlava pela obediência para com aqueles, que nada eram perante Ele.

Sua liberdade eterna e suprema, Ele dominava pela entrega a trabalhos mais ínfimos, qual escravo, conquanto fosse mui difícil.

A tendência para o conforto. Ele vencia pelo repetido jejum, por necessidade e também pela livre vontade de Sua Alma.

A atração para o outro sexo, Ele vencia por trabalhos pesados, alimentação fraca, preces e contato com homens sábios. Precisamente neste ponto. Ele enfrentava muita tentação, pois Sua Figura e a Voz eram excessivamente atraentes, razão por que as cinco filhas mui simpáticas de Cirenius andavam todas apaixonadas por Ele e rivalizavam entre si, em se tornarem agradáveis a Ele. Se bem que Lhe agradasse tal amor. Ele era obrigado a dizer sempre: Noli Me tangerei (Não Me toques!)

Como além disso descobria num relance, a maldade dos homens, sua astúcia, hipocrisia, esperteza e egoísmo, compreende-se ser Ele facilmente irritável, sentindo-Se ofendido e irado; então amainava Sua Alma divina com Seu Amor, acompanhado da Misericórdia.

Assim, Ele Se exercitava durante toda Sua Vida, através da mais penosa desistência de Si Mesmo, a fim de restabelecer a antiga ordem, deturpada. Daí se pode com facilidade concluir a maneira pela qual Jesus viveu como homem, os dezoito anos, sob constantes tentações e lutas contra elas.

Com esta explicação nada mais há que acrescentar, senão a controvérsia com os doutores no Templo.

 

         Curto relato da cena no templo:

Aos doze anos, Jesus operou um milagre no Templo, ao lá chegar pela primeira vez, milagre este, entre os doutores, e que o Próprio Senhor me relatou, 'porquanto eu, Jacó, não estive presente. Na grande aglomeração, José e Maria perderam Jesus no Templo, julgando ter Ele Se dirigido para casa, em companhia de Salomé ou com outros parentes» e conhecidos.

Assim, ambos seguiram a caravana de Nazareth, encontrando-a apenas à noite, no albergue entre esta cidade e Jerusalém. Jesus lá não estando, José e Maria, se entristeceram e voltaram para Jerusalém, com alguns acompanhantes. Lá chegando, José procurou imediatamente o Prefeito Cornélius que lhe cedeu uma guarda romana com a incumbência de uma vistoria em todas as casas. Deste modo, José investigou quase toda Jerusalém, sem descobrir a Jesus, após uma busca de três dias.

Devolvendo a guarda a Cornélius, este procurou consolá-los e convidou-os a ficarem à noite em casa dele. José aceitou, dizendo: "Assim farei, bom amigo; mas antes irei ao Templo para fazer um sacrifício a Deus, do meu coração entristecido."

Qual não foi a surpresa de José e Maria, ao encontrarem Jesus entre os doutores, ensinando e respondendo de modo tal a deixá-los estonteados; pois esclarecia-lhes os pontos mais ocultos dos profetas, orientava-os quanto às estrelas, suas órbitas, sua luz original, e sua grandeza individual.

Descreveu-lhes a natureza dos planetas e demonstrou a ligação física, psíquica e espiritual das coisas, provando a imortalidade da alma de forma tão espetacular, que todos afirmaram: "Isto é inédito! Um. menino de doze anos é mais sábio que todos nós, em conjunto!"

Neste instante se apresentaram José Maria e disseram a Jesus: "Por que nos fizeste isto? Procuramos-Te durante três dias, com aflição sem par, e não conseguimos encontrar-Te!"

Jesus retrucou: "Por que fizestes isto? Ignoráveis a Casa de Meu Pai, na qual tenho que executar a Vontade Dele?

Maria e José não entenderam o sentido das palavras, enquanto Jesus os acompanhava de bom grado, após ter com eles pernoitado em casa de Cornélius. Os doutores do Templo louvaram a Maria por ter um filho tão inteligente.

A partir daí, Jesus Se retraiu inteiramente e não mais operou milagre algum, até os trinta anos. vivendo e trabalhando como homem qualquer.


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